Coina alerta: enfermeiros são obrigados a exercer funções de OSS por escassez de pessoal; tribunal reconhece desvio de função
Coina denuncia que enfermeiros são forçados a cumprir funções de OSS por falta de pessoal; tribunal de Reggio Calabria reconheceu desvio de função.
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Coina alerta: enfermeiros são obrigados a exercer funções de OSS por escassez de pessoal; tribunal reconhece desvio de função
Por Alessandro Vittorio Romano — A respiração lenta e contínua dos serviços de saúde italianos revela, vez por outra, rachaduras que afetam não só os profissionais, mas a qualidade do cuidado. Segundo o Coina, sindicato das profissões de saúde, a realidade é clara: 94,5% dos enfermeiros realizam pelo menos um tipo de atividade não própria da sua formação, sobretudo de caráter administrativo e auxiliar. Em muitos setores, até 32,6% da jornada desses profissionais é absorvida por tarefas logísticas, burocráticas e de suporte – atividades que desviam o olhar da verdadeira essência do cuidado.
O problema ganhou contorno jurídico com a recente decisão do Tribunal de Reggio Calabria, que reconheceu o desvio de função de uma enfermeira da ASP. Ela foi obrigada, por anos, a executar diariamente tarefas típicas dos OSS (operadores socio-sanitários) em razão da falta de pessoal de apoio. Para o Coina, essa sentença não é um episódio isolado, mas a confirmação de um padrão cada vez mais frequente: enfermeiros empregados para suprir carências de OSS, auxiliares e administrativos.
Como observador atento dos ritmos que regem nossas cidades e salas de hospital, vejo nesse fenômeno a sobreposição de estações — um inverno prolongado para o ofício do enfermeiro, com impacto direto na segurança do paciente. Quando os profissionais são puxados para além do seu campo de competência, o tempo interno do corpo institucional se altera: há menos disponibilidade para vigilância clínica, menos espaço para empatia, menos presença no gesto que faz diferença.
Os números trazidos pelo Coina traduzem esse descompasso em termos palpáveis: quase a totalidade da categoria lida diariamente com funções estranhas ao seu patrimônio profissional, e um terço do tempo de trabalho pode perder-se em tarefas administrativas e de logística. O sindicato denuncia um verdadeiro rebaixamento estrutural das funções do enfermeiro, uma erosão lenta que, caso não seja revertida, corrói também a qualidade do serviço prestado à comunidade.
“Não podemos chamar de emergência aquilo que acontece todos os dias há meses”, afirma o Coina, apontando para a necessidade de políticas de pessoal que reconheçam e preencham as lacunas de OSS, auxiliares e administrativos. A solução exige uma colheita de hábitos diferente: investimentos em formação, contratações focadas nas funções de suporte e uma leitura atenta dos fluxos de trabalho para devolver ao enfermeiro o núcleo do seu cuidado.
Enquanto as decisões judiciais desenham precedentes, a vida nos corredores continua — e com ela, a urgência de tratar o problema como estrutural. Olhar para essa questão com sensibilidade é também perceber que a saúde de um sistema depende das raízes do bem-estar de quem o sustenta. Recuperar o tempo clínico dos enfermeiros é, em última instância, cultivar segurança e dignidade para pacientes e profissionais, numa paisagem que pede respiração equilibrada entre técnica e humanidade.
O debate segue aberto: autoridades regionais e nacionais são chamadas a responder com medidas concretas para evitar que o desvio de função se torne a norma. Até lá, a sentença de Reggio Calabria funciona como farol — e ao mesmo tempo como alerta — de que é preciso cuidar daqueles que cuidam.

