Por que o 'Dr. IA' não substitui o médico: o livro que pede uma medicina aumentada e o cultivo da inteligência humana
Livro de Salvatore Corrao defende cultivar a inteligência humana para uma medicina aumentada, evitando a automatização clínica pela IA.
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Por que o 'Dr. IA' não substitui o médico: o livro que pede uma medicina aumentada e o cultivo da inteligência humana
Em um tempo em que a tecnologia respira junto com as cidades, Salvatore Corrao nos convida a olhar para a saúde com olhos que sabem ouvir tanto o pulso humano quanto o pulso dos dados. No livro Curare con 'intelligenza' - L'intelligenza artificiale tra sapere medico e decisione umana (Il Pensiero Scientifico Editore), o professor de Medicina Interna da Universidade de Palermo e diretor do Departamento de Medicina Clínica do complesso ospedaliero Arnas Civico-Di Cristina-Benfratelli traça um mapa sensível das promessas e dos limites da inteligência artificial aplicada à prática clínica.
Apresentado em 25 de março na Sala degli Stemmi do Comune di Legnano, evento promovido por Antonino Mazzone e prestigiado por figuras como o prefeito Lorenzo Radice e o professor emérito Pier Mannuccio Mannucci, o livro surgiu como um convite: cultivar antes a inteligência humana para que a máquina seja realmente útil. Como uma árvore que só dá frutos quando tem raízes fortes, a relação entre médico e algoritmo precisa de terreno fértil — a curiosidade, o juízo crítico e a empatia do profissional.
Corrao, internista, clínico, pesquisador, músico e programador desde os anos 80, combina o olhar do médico com o do desenvolvedor: experiência em machine learning e programação em Python que embasam uma leitura técnica, porém acessível. O livro, prefaciado por Giovanni Migliore (diretor geral de Comunicação do Ministério da Saúde) e por Giovanni Pioggia (CNR), percorre oito capítulos enriquecidos por um glossário que desmistifica o vocabulário da IA na medicina.
Ao longo da obra, o autor descreve a história e as ferramentas da área, apresenta as inovações — diagnósticos mais precisos, previsões de risco, personalização de tratamentos — e não se esquiva dos alertas. A mensagem central é direta e serena: a IA é inteligente na medida em que somos inteligentes ao usá-la. Se o médico abdicar do juízo clínico e da empatia, corre-se o risco de uma "medicina automatizada"; se, em vez disso, cultivarmos as habilidades cognitivas das novas gerações, podemos chegar a uma medicina aumentada, onde tecnologia e humanidade se potencializam.
Em um país onde a prática clínica ainda é, por natureza, uma "palestra de ideias" — como Mazzone lembrou, uma disciplina que se ocupa dos doentes, não apenas das doenças —, Corrao aponta para a necessidade de treinar médicos para que não sejam escravos do algoritmo, mas seus mestres. É um apelo à educação: formar profissionais que saibam interpretar resultados, questionar modelos, identificar vieses e preservar a relação terapêutica.
O livro também reflete a sensibilidade de quem pratica medicina com instrumentos múltiplos: a música, a programação e o cuidado clínico se encontram na metáfora do tempo e dos ritmos — o tempo interno do corpo, o compasso do diagnóstico, a respiração da cidade. Ao final, a proposta de Corrao soa como uma colheita de hábitos: nutrir o pensamento crítico, a empatia e a criatividade para que a tecnologia, como uma boa ferramenta de cozinha, amplie e não substitua o sabor do gesto humano.
Para leitores interessados em saúde, tecnologia e ética, a obra é leitura essencial: um roteiro prático e reflexivo sobre como abraçar a inteligência artificial sem perder o que nos torna humanos no ofício de cuidar.