De Pascale: para garantir os LEA é preciso garantir recursos às Regiões, caso contrário tudo corre risco

De Pascale alerta: sem recursos adequados, os LEA correm risco; a colaboração entre Governo e Regiões precisa de financiamento sincero e método.

De Pascale: para garantir os LEA é preciso garantir recursos às Regiões, caso contrário tudo corre risco

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De Pascale: para garantir os LEA é preciso garantir recursos às Regiões, caso contrário tudo corre risco

Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma conversa que mistura preocupação técnica e o ritmo sensorial da vida pública, Michele de Pascale, presidente da Região Emilia-Romagna, traçou um cenário claro sobre a respiração da sanità pública italiana: sem recursos extras, os LEA — níveis essenciais de assistência — podem começar a vacilar, como árvores que perdem folhas antes da colheita.

À margem do encontro "Innovaction - Dialoghi sull'innovazione accessibile", promovido por GSK e Espresso Italia em Roma, De Pascale disse ao Espresso Italia Salute que a última manobra orçamentária do Governo reconheceu o problema das listas de espera. Contudo, olhando para a próxima Finanziaria e para 2027, ele vê um baratro: o ajuste previsto para os custos da saúde não acompanhará a tendência da inflação, e isso joga um peso enorme sobre os balanços regionais.

Na prática, explicou o presidente, na Emilia-Romagna foram acrescentados 800 milhões de euros por ano para manter os LEA e garantir «algo a mais». "Se não o tivéssemos feito, todos os LEA saltariam", afirmou. O primeiro ato da sua administração foi justamente uma manobra fiscal para sustentar esses recursos: "todas as Regiões caminham por esse mesmo rumo".

Sobre o apelo da primeira-ministra Giorgia Meloni para que as Regiões façam equipa com o Governo na luta contra as listas de espera, De Pascale foi direto. Considerar que 20 presidentes regionais seriam, em bloco, incapazes é estatisticamente improvável e politicamente simplista. "A disponibilidade para colaborar é máxima, mas é preciso um financiamento adequado", sublinhou. Há técnicos competentes nas Regiões, e sentar-se à mesa exige vontade sincera e método.

De Pascale lembrou que, quando várias Regiões historicamente fortes — Veneto, Lombardia, Emilia-Romagna e Toscana — começam a mostrar sinais de crise, não se trata apenas de falhas individuais. "Os presidentes mudam, os problemas permanecem", disse, evocando a ideia de um terreno comum que precisa ser regado: mais dinheiro para aumentar a produção de serviços, e depois trabalhar a apropriadade e o governo da procura.

Num tom que mistura pragmatismo e um apelo à sabedoria cotidiana, ele advertiu: é preciso prescrever quando necessário e não deixar que o Google dite o cuidado. Quanto à garantia de fármacos oncológicos inovadores, admitiu que não sabe se isso vem antes ou depois na fila de prioridades — o que fica claro é que quem cuida da saúde pública precisa de previsibilidade e recursos.

O diagnóstico de De Pascale é ao mesmo tempo técnico e humano: tratar a saúde pública como uma paisagem viva, onde as estações das finanças e da assistência determinam a qualidade da colheita social. Sem chuva — ou dinheiro — as sementes da assistência murcham. O convite final é simples e sensível: mudar o método, somar vontades e reconhecer que a parceria entre Governo e Regiões só floresce com recursos à prova de variações orçamentárias.