Despesa sanitária cai para 6,2% do PIB: Itália fica em último no G7, alerta Gimbe

Despesa sanitária pública da Itália cai para 6,2% do PIB em 2025; Gimbe alerta que país é o último no G7 e aponta subfinanciamento estrutural.

Despesa sanitária cai para 6,2% do PIB: Itália fica em último no G7, alerta Gimbe

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Despesa sanitária cai para 6,2% do PIB: Itália fica em último no G7, alerta Gimbe

Por Alessandro Vittorio Romano — A Itália viu a despesa sanitária pública encolher ainda mais em 2025, desacordando com o ritmo dos vizinhos e ficando, novamente, na retaguarda do G7. Segundo a análise da Fondazione Gimbe com base em dados da OCSE, a proporção do gasto público em saúde em relação ao PIB recuou de 6,3% em 2024 para 6,2% do PIB em 2025.

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Esse número não é apenas estatística: é a respiração do país mostrando-se curta frente a necessidades crescentes. A média da OCSE e a média dos países europeus situam-se em 7,1% do PIB, e a distância financeira da Itália em termos de poder de compra é estimada em mais de 36 bilhões de euros — uma cifra que traduz, em ritmo seco, a menor capacidade de investimento em serviços essenciais.

Para além dos percentuais, o quadro desenhado pela Gimbe pinta um país atrás de 14 Estados europeus da área OCSE. A diferença mais visível aparece na comparação com a Alemanha, que dedica cerca de 11% do PIB à saúde — quase 5 pontos percentuais a mais — e uma margem de cerca de 3 pontos em relação a França, Suécia e Reino Unido. São sombras que se alongam sobre hospitais, profissionais e sobre a garantia de um direito fundamental.

"O subfinanciamento público da saúde não é mais uma questão contábil per gli addetti ai lavori, ma uma criticità strutturale che ha indebolito il servizio sanitario nazionale e compromesso l'esigibilità di un diritto fondamentale", comenta o presidente da Fondazione Gimbe, Nino Cartabellotta. Em outras palavras, o problema deixou o papel e entrou na experiência cotidiana dos cidadãos: tempos de espera, falta de pessoal, pressão sobre os serviços de proximidade.

Este diagnóstico chega em um momento crucial: a discussão sobre a Legge di Bilancio 2027 está se aproximando e o relatório da Gimbe surge como um lembrete claro de que as escolhas orçamentárias moldam a paisagem do cuidado. Se o financiamento é a terra, as políticas são as sementes — sem irrigação adequada, a colheita do bem-estar empobrece.

Como observador das estações da vida urbana, vejo esse recuo como um inverno que insiste em se alongar para o sistema de saúde. Mas a primavera existe nas decisões políticas e na capacidade de priorizar o que é essencial. A proposta da Gimbe não é um mero apelo técnico: é um convite a replantar prioridades.

Num país que valoriza o cuidado e a comunidade, permitir que o financiamento da saúde fique aquém do necessário é escolher, lentamente, a erosão do acesso. A cifra de 6,2% do PIB é, assim, mais do que uma marca estatística — é um mapa que mostra onde a estrada para a equidade precisa ser reconstruída.

Assinado, Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia

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