Dia Mundial das Bronquiectasias: AIB anuncia mesa multidisciplinar para melhorar diagnóstico e cuidado
AIB lança mesa multidisciplinar no Dia Mundial das Bronquiectasias para melhorar diagnóstico e cuidados; prevalência crescente e diagnóstico tardio são desafios.
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Dia Mundial das Bronquiectasias: AIB anuncia mesa multidisciplinar para melhorar diagnóstico e cuidado
Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia
Em sintonia com a respiração lenta da cidade e o ritmo interno do corpo, a AIB - Associazione Italiana Bronchiectasie APS reuniu a imprensa por ocasião do Dia Mundial das Bronquiectasias para lançar um chamado à ação: é hora de dar visibilidade a uma doença respiratória que muitas vezes passa despercebida, apesar do impacto profundo que impõe à vida das pessoas. O encontro, realizado com o contributo não condicionado da Insmed, marcou também a constituição de um tavolo multidisciplinare voltado à elaboração de um policy paper nacional para aprimorar reconhecimento, diagnóstico e percursos assistenciais.
As bronquiectasias são uma condição inflamatória crônica e progressiva, marcada pela dilatação irreversível das vias aéreas, infecção persistente e inflamação neutrofílica que se alimentam mutuamente, ocasionando dano estrutural pulmonar e comprometimento funcional ao longo do tempo. Nos últimos anos, os dados epidemiológicos têm mostrado um aumento nas diagnósticos de bronquiectasias não associadas à fibrose cística: estima-se cerca de 680 casos para cada 100.000 habitantes globalmente, com prevalência maior entre mulheres, e aproximadamente 130 casos por 100.000 na Itália.
Esse quadro clínico traduz-se, no dia a dia, em sintomas que roubam a leveza dos gestos: tosse persistente, expectoração, falta de ar e infecções recorrentes que mutilam a rotina. Mas o que realmente alimenta a progressão da doença são as riacutizações — agravos imprevisíveis que aceleram o desgaste respiratório. A demora no diagnóstico, que muitas vezes ultrapassa uma década desde o início dos sintomas, e a fragmentação dos percursos assistenciais, transformam-se em ventos contrários que ampliam as crises e pioram o prognóstico.
“As bronquiectasias representam uma condição eterogênea e complessa, na qual infeção crônica, inflamação persistente e dano estrutural das vias aéreas concorrem para um quadro que evolui e exige um enfoque altamente especializado”, declarou o Professor Andrea Gramegna, docente de Doenças do Aparelho Respiratório na Universidade de Milão. “O atraso diagnóstico e a fragmentação dos percursos assistenciais não são meros problemas organizativos: eles influenciam diretamente a progressão da doença e o aumento das exacerbações”.
O novo tavolo multidisciplinar pretende aproximar especialistas, pacientes, instituições e indústrias para desenhar um policy paper nacional que aponte medidas concretas: campanhas de sensibilização, protocolos de diagnóstico mais ágeis, formação especializada e modelos de cuidado integrados. Em outras palavras, a proposta é cultivar uma colheita de hábitos e práticas que reduzam o tempo entre os primeiros sinais e a intervenção adequada.
Trazer as bronquiectasias para a agenda das instituições de saúde é plantar raízes de prevenção e cuidado numa paisagem onde, até agora, muitos caminhos eram tortuosos e isolados. Ao transformar a fragmentação em rede, será possível diminuir o número de riacutizações, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e frear a progressão da doença.
Como observador atento das estações da saúde, percebo aqui uma oportunidade: sincronizar a respiração das comunidades médicas e administrativas com o tempo interno dos pacientes. É assim, entre ciência e sensibilidade, que se constrói um percurso de cuidado capaz de devolver fôlego e cotidiano àqueles que vivem com bronquiectasias.
Para mais informações sobre a iniciativa e os próximos passos do tavolo, a AIB e os parceiros prometem divulgar datas de reuniões públicas e materiais informativos voltados tanto para profissionais quanto para a população.