Endometriose: 1,8 milhão de italianas convivem com a doença e 64% das jovens com dor menstrual já têm o diagnóstico não detectado

Endometriose afeta 1,8 milhão de italianas; 64% das jovens com dor menstrual têm a doença sem saber. Impacto, causas ambientais e necessidade de diagnóstico precoce.

Endometriose: 1,8 milhão de italianas convivem com a doença e 64% das jovens com dor menstrual já têm o diagnóstico não detectado

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Endometriose: 1,8 milhão de italianas convivem com a doença e 64% das jovens com dor menstrual já têm o diagnóstico não detectado

Sou Alessandro Vittorio Romano, observador das estações e guardião das rotinas que desenham o bem-estar. Hoje escrevo sobre uma sombra íntima que afeta a vida de muitas mulheres: a endometriose. Segundo o Instituto Superior de Saúde (ISS) da Itália, mais de 1,8 milhão de mulheres em idade reprodutiva convivem com a doença — uma prevalência estimada em 1,4% entre mulheres de 15 a 50 anos.

Como um inverno que insiste na primavera, a endometriose muitas vezes chega sem ser reconhecida. O diagnóstico demora, em média, 7 anos. Enquanto isso, a rotina se ajusta ao sofrimento: aulas perdidas, esportes interrompidos, encontros adiados — dias em que a cidade respira ao ritmo de quem está em repouso forçado.

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O ISS também destaca uma distribuição ligeiramente desigual do fenômeno no período 2021–2023, com números um pouco maiores no Norte do país, especialmente na província autônoma de Bolzano, no Vêneto e na Sardenha. Estudos preliminares do instituto acendem outro sinal de alerta: o risco de endometriose pode estar associado à residência em áreas contaminadas por contaminantes ambientais que se bioacumulam e atuam como interferentes endócrinos.

São citados poluentes como os policlorobifenilos (PCBs), as dioxinas, o chumbo e o cádmio. A proposta é clara como uma paisagem após a chuva: ativar sistemas integrados de vigilância epidemiológica que se conjuguem com o monitoramento ambiental, sobretudo em territórios de maior contaminação.

O impacto humano é imediato e profundo. Muitas jovens, forçadas pelo sofrimento, faltam à escola ou vão cheias de medicamentos, limitam atividades físicas e sociais, e enfrentam descrença dentro de casa e até nos serviços de saúde. Estudos internacionais reforçam essa experiência: uma revisão da University College London e da Universidade de Birmingham, publicada no Journal of Pediatric & Adolescent Gynecology, analisou 19 estudos realizados entre 2011 e 2019 com 1.243 garotas de 10 a 25 anos com dor menstrual crônica. O achado é contundente: em média, 6 em cada 10 dessas jovens tinham endometriose, e a condição implicou em perda média de 19 dias de escola por ano.

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Do ponto de vista clínico, a endometriose acontece quando o endométrio — a mucosa que reveste internamente o útero — passa a ser encontrado fora da cavidade uterina. Isso se manifesta por sintomas que tocam o corpo e o cotidiano: dor menstrual intensa, dor pélvica crônica, e dor durante as relações sexuais.

As estratégias de manejo variam conforme o quadro e os objetivos reprodutivos: controle da dor, terapias hormonais e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas. Mas além do arsenal terapêutico, o que se impõe é uma mudança de atitude social e clínica: reconhecer a dor menstrual como sinal, não como destino; escutar as jovens; reduzir o diagnóstico tardio.

Como quem observa um pomar que precisa ser cuidado, proponho uma colheita de ações: maior vigilância ambiental, confiança no relato feminino, triagem precoce nas escolas e consultórios, e campanhas públicas que desnaturalizem o sofrimento menstrual. Assim como o clima molda nossos hábitos, as políticas e a escuta moldam a saúde.

A endometriose não precisa ser um segredo da vida cotidiana. Com informação, vigilância e empatia, podemos devolver às mulheres o tempo e o ritmo do seu próprio corpo — e transformar o inverno da dor em uma primavera de cuidados.

— Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia

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