Endometriose atinge 3 milhões de italianas; diagnóstico demora em média 7 anos

Endometriose atinge 3 milhões de italianas; diagnóstico leva 7 anos em média. Saiba sintomas, impacto e apelo por diagnóstico precoce.

Endometriose atinge 3 milhões de italianas; diagnóstico demora em média 7 anos

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Endometriose atinge 3 milhões de italianas; diagnóstico demora em média 7 anos

Na Itália, cerca de endometriose afeta aproximadamente três milhões de mulheres, e o percurso até um diagnóstico costuma ser lento — em média mais de sete anos desde os primeiros sinais. Esse atraso transforma sintomas frequentes em sofrimento prolongado: uma em cada quatro mulheres relata impacto na vida profissional ou nos estudos.

Conhecida também como doença silenciosa ou invisível, a endometriose atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, mas seus sinais são muitas vezes subestimados. É uma condição crônica e potencialmente incapacitante, ainda sem cura definitiva, marcada pelo crescimento fora do útero de um tecido semelhante ao endométrio. Essas implantações podem ocorrer em ovários, trompas, intestino, vagina e bexiga, gerando inflamação, aderências e, em alguns casos, infertilidade.

Frequentemente a doença se faz presente já na adolescência, manifestando-se por cólicas menstruais intensas — a chamada dismenorreia — que, com muita frequência, são consideradas “normais”. Porém a dor pode surgir fora do ciclo menstrual, durante relações sexuais, evacuação, e vir acompanhada de sintomas gastrointestinais.

Com a sensibilidade de quem observa os ritmos íntimos do corpo, lembro que o corpo tem um tempo interno. Não deixe que a dor se enraíze: “Não deem tempo à dor para cronificar. Joguem no antecipado. Levem as adolescentes ao ginecologista quando a dor atrapalhar as atividades diárias. Sofrer por ser mulher não é justo e, sobretudo, não é a normalidade. Apagar o fogo da neuroinflamação ajuda a evitar a cronificação da dor e garante melhor qualidade de vida.” O apelo é de Flaminia Coluzzi, responsável pelo Centro de Terapia da Dor Onco-Hematologia do Hospital Sant’Andrea, em Roma, e docente na Universidade La Sapienza.

Coluzzi enfatiza a importância de sensibilizar as jovens sobre o significado da dor menstrual como principal “campainha” apontando lesões endometriosicas. A maioria das mulheres que recebe o diagnóstico relata ter experimentado dismenorreia durante a adolescência. Existem critérios clínicos para distinguir a dismenorreia primária — ligada à menstruação fisiológica — do quadro doloroso que revela uma patologia subjacente.

O ginecologista é a figura de referência para enquadrar cada caso e buscar um diagnóstico precoce, evitando as consequências indesejadas dessa condição. Será também o especialista a indicar a terapia hormonal mais adequada para controlar a doença e reduzir a intensidade das crises dolorosas.

Como observador atento dos ciclos que nos moldam, convido a olhar para a endometriose não apenas como um dado estatístico, mas como uma questão de bem-estar coletivo: detectar cedo é como cuidar de uma pequena árvore antes que suas raízes estrangulem o jardim. A informação, o acolhimento e o acompanhamento médico são as primeiras estações dessa colheita de cuidados.