Endometriose: novo modelo de cuidado no Centro Regional do Civico Palermo
Centro Regional do Civico Palermo lança modelo de cuidado centrado na pessoa e pesquisa terapias não hormonais para endometriose.
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Endometriose: novo modelo de cuidado no Centro Regional do Civico Palermo
Por Alessandro Vittorio Romano - Em Palermo, foi inaugurado um novo marco na atenção à saúde feminina: o Centro Regional para diagnóstico e tratamento da endometriose do Arnas Civico Palermo. Em entrevista, o diretor da unidade, Antonio Maiorana, descreve o projeto como uma resposta que vai além de salas modernas e tecnologia de ponta — é, sobretudo, uma proposta de modelo de cuidado centrado na pessoa.
Na fala do diretor, a doença não é um problema idêntico para todas as mulheres. A endometriose altera o corpo e a rotina como as estações mudam uma paisagem: pode deixar marcas na qualidade de vida, interferir na relação com o próprio corpo e com os outros, impactar o trabalho, a sexualidade e o sonho da maternidade. Há ainda a chamada "memória biológica" da dor crônica — uma cicatriz que vive no sistema nervoso e pede estratégias que considerem o tempo inteiro do corpo.
O Centro Regional não nasceu apenas para oferecer cirurgia e assistência especializada. Além de uma sala operatória de altíssimo nível e espaços destinados à formação, o projeto abre espaço para inovação científica. Uma linha de pesquisa, conduzida em parceria com o Istituto Superiore di Sanità (ISS) e a Universidade de Messina, tem investigado novas estratégias terapêuticas. Os primeiros dados são encorajadores e desenham uma possibilidade concreta: tratamentos não hormonais que ampliam as alternativas para quem vive a doença.
Mas o que significa, na prática, colocar a pessoa no centro e não apenas a patologia? Para Maiorana, a resposta está numa equipe que acompanha a mulher em sua totalidade. Não se trata de uma única consulta isolada, e sim de um percurso personalizado conduzido por uma equipe multidisciplinar: ginecologistas, cirurgiões, especialistas em dor, gastroenterologistas, urologistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais que entram em cena conforme a necessidade clínica.
Esse olhar integrado nasce da constatação de que a endometriose pode afetar órgãos e funções diversas; portanto, a resposta terapêutica deve ser construída caso a caso. O caminho começa com escuta ativa dos sintomas, avaliação do impacto sobre a vida cotidiana e do desejo reprodutivo, dimensão da dor e acolhimento emocional para o projeto de vida de cada mulher.
Como observador do dia a dia e amante dos ritmos que regem o bem-estar, vejo no novo centro uma espécie de estação onde se replantam hábitos e esperanças: um lugar onde a ciência encontra o cuidado sensível, onde a tecnologia serve à humanidade e a pesquisa abre novas saídas. A proposta é devolver o tempo e a potência do corpo àquelas que conviveram com dores que, por vezes, crystallizaram suas escolhas.
O gesto de criar espaços acolhedores e cirurgias de alta complexidade é necessário, mas insuficiente se não vier acompanhado por trajetórias personalizadas. A verdadeira inovação, diz Maiorana, está em construir prontamente um plano terapêutico sob medida, porque a endometriose não cabe num único roteiro clínico.
Para as mulheres de Palermo e de toda a região, o novo centro representa uma colheita de esperança: equipamentos, formação e ciência, alinhados a um método humano. E a pesquisa com o ISS e a Universidade de Messina recorda que as estações do conhecimento estão sempre renovando possibilidades — algumas delas, agora, menos dependentes de hormônios e mais próximas das histórias pessoais de cada paciente.
Ao final, o convite é simples e direto: ninguém deve trilhar esse caminho sozinha. Onde há equipe, escuta e inovação, há também a chance de recuperar qualidade de vida — como a paisagem que se desperta depois de um inverno longo, preparando-se para florescer.