Pós‑Covid, estudantes universitários mais frágeis: entre ansiedade, performance e os desafios da IA e do declínio demográfico
Reitora Elena Beccalli alerta: pós‑Covid deixou estudantes mais ansiosos e focados na performance; IA e declínio demográfico são desafios a enfrentar.
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Pós‑Covid, estudantes universitários mais frágeis: entre ansiedade, performance e os desafios da IA e do declínio demográfico
Por Alessandro Vittorio Romano – No recente Fórum da ANSA, a reitora da Università Cattolica del Sacro Cuore, Elena Beccalli, traçou um retrato sensível do que hoje vemos nas salas, corredores e jardins das universidades: um corpo estudantil marcado pela fragilidade emocional e por inquietações profundas sobre o próprio rendimento.
Beccalli, que desde junho de 2025 preside a Federação Europeia das Universidades Católicas — um network de 62 instituições — destacou que, após a pandemia, os jovens chegam às universidades mais ansiosos e preocupados com a performance. “Devemos prestar atenção ao seu bem‑estar psicológico e ativar mecanismos de resiliência”, afirmou, lembrando que quem estuda também precisa de figuras de referência que orientem e acolham.
Se pensarmos na universidade como um terreno cultivável, a pandemia foi uma geada que expôs raízes frágeis: muitos estudantes perderam referências, rotinas e a segurança do convívio. Beccalli ressaltou três grandes desafios que atravessam esse cenário: a ascensão da inteligência artificial, a fragilidade dos jovens e o declínio demográfico. Os primeiros dois parecem óbvios na conversa diária dos campi; o terceiro, porém, exige atenção política e educativa específica.
A discussão seguirá em maio, na assembleia da Federação que acontecerá em Zagreb, onde estes temas serão aprofundados entre reitores e especialistas. Segundo a reitora, enquanto a revolução tecnológica impõe novas competências e a ansiedade demanda estruturas de suporte, o declínio demográfico pede estratégias de longo prazo para repensar universidades e comunidades.
Na Università Cattolica, Beccalli explicou, há investimentos concretos: percursos de apoio psicológico para estudantes, políticas que colocam o bem‑estar no centro e a criação de espaços onde se possa cultivar relações sólidas, práticas de autocuidado e momentos de encontro. São medidas pensadas para reacender a respiração comunitária das instituições, ajudando o aluno a voltar a sentir a universidade como um lugar de crescimento humano tanto quanto intelectual.
Como observador atento dos ritmos cotidianos e das estações da vida, vejo nessa pauta a urgência de combinar técnica e cuidado: preparar jovens para a era da inteligência artificial enquanto se cuida do tempo interno do corpo e da mente. A universidade que floresce é aquela que entende as suas plantas — estudantes — e oferta não só ferramentas para competir, mas também solo fértil para recuperar confiança e sentido.
Em última análise, a mensagem de Beccalli é clara e terna: não basta formar profissionais; é preciso cultivar pessoas resilientes. E para isso, como numa horta bem cuidada, são necessários espaços, mãos que orientem e um calendário atento às estações do viver estudantil.