Estudo JAMA sobre vacina Covid divide opinião: Donzelli aponta viés e questiona redução de mortes

Crítica ao estudo JAMA sobre vacina Covid: Donzelli aponta vieses, falta de comparação com não vacinados e necessidade de mais investigação.

Estudo JAMA sobre vacina Covid divide opinião: Donzelli aponta viés e questiona redução de mortes

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Estudo JAMA sobre vacina Covid divide opinião: Donzelli aponta viés e questiona redução de mortes

Por Alessandro Vittorio Romano

O recente artigo publicado na JAMA Internal Medicine sobre efeitos da vacina Covid em veteranos norte-americanos reacende um debate que mistura números, metodologia e sensações coletivas — como se contemplássemos uma paisagem onde o horizonte promete colheitas, mas os sinais no solo pedem cautela.

O estudo analisou 1.040.000 veteranos que haviam recebido a vacina contra a gripe, entre os quais cerca de 350.000 também tinham recebido a vacina atualizada 2024-25 contra a Covid; os demais — aproximadamente 690.000 — haviam tomado apenas a vacina antigripal. Os autores relatam que, após oito meses, o grupo que recebeu a vacina Covid apresentou menos eventos adversos cardiovasculares maiores (MACE). As diferenças reportadas foram pequenas: cerca de 2 MACE a menos a cada 10.000 participantes para endpoints muito específicos, e efeitos maiores para desfechos menos específicos — quase 24 eventos cardiovasculares totais a menos por 10.000 e aproximadamente 16 mortes a menos por 10.000.

Apesar desses números, o médico e epidemiologista Alberto Donzelli, com longa trajetória em Saúde Pública, ofereceu uma leitura crítica para Il Giornale d'Italia. Donzelli lembra que o estudo da JAMA não avaliou comparativamente indivíduos não vacinados, nem investigou efeitos adversos dos soros, e admite risco de erros de classificação. Para ele, a explicação plausível não é proteção estendida da vacina, mas o conhecido bias do vacinado saudável — ou seja, o viés do aderente-saudável — já descrito na literatura epidemiológica há décadas.

Donzelli chega a afirmar, em termos contundentes, que "a verdade é que os vacinados morrem mais dos que os não vacinados" — uma observação que, no tom de quem observa a respiração da cidade, exige cuidado interpretativo e maior robustez metodológica para ser aceita pela comunidade científica. Ele também aponta que a coorte estudada é dominada por pessoas idosas, o que pode enviesar conclusões sobre risco e benefício.

Em contraponto, a própria publicação reconhece limitações: ausência de comparação direta com não vacinados, possibilidade de erros de classificação e falta de análise de eventos adversos. Essa lacuna deixa a paisagem dos dados incompleta, como um terreno onde vemos o tronco das árvores, mas não a raiz.

Há ainda referências a estudos que associam a vulnerabilidade mitocondrial e miocardite pós-vacina, como trabalhos publicados em periódicos como Nature, que apontam a miocardite como efeito adverso raro porém grave, com maior incidência em jovens do sexo masculino. Esses sinais reforçam a necessidade de vigilância e análises mais refinadas.

Em suma, o debate escancara duas verdades complementares: os grandes bancos de dados podem revelar padrões promissores, mas sem controles adequados e investigação de efeitos adversos ficam sujeitos a vieses. Como um jardineiro que examina o solo antes da semeadura, a comunidade científica precisa de estudos que comparem vacinados e não vacinados, ajustem por comportamentos de cuidado com a saúde e investiguem com rigor os eventos indesejáveis.

No tempo interno do corpo e no compasso das estações, essa discussão nos lembra que a saúde pública se constrói entre evidências, cautela e transparência — e que cada nova pesquisa é uma estação que pede cultivo atento.