Fimmg: boa notícia que se reconheça que a reforma da medicina geral é prejudicial

Fimmg afirma que a reforma da medicina geral seria prejudicial ao SNS; Scotti pede diálogo e proteção da negociação coletiva.

Fimmg: boa notícia que se reconheça que a reforma da medicina geral é prejudicial

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Fimmg: boa notícia que se reconheça que a reforma da medicina geral é prejudicial

Por Alessandro Vittorio Romano – Em Roma, 05 de junho de 2026. O secretário da Federação Italiana dos Médicos de Medicina Geral, Silvestro Scotti, saudou com cautela a sinalização de que a proposta de reforma dos médicos de família pode ter sido travada. Em entrevista à ANSA, Scotti afirmou que a reforma da medicina geral "teria feito saltar o Serviço Nacional de Saúde" e destacou que não se trata de uma iniciativa exclusiva do ministro da Saúde Orazio Schillaci, mas de uma proposta fortemente influenciada pelas Regiões e orientada por motivos essencialmente económicos.

Segundo Scotti, se de facto o percurso legislativo for interrompido, isso não deve ser lido como "uma vitória de categoria". Pelo contrário, é o reconhecimento responsável de um erro de método: estava-se a legislar de forma unilateral sobre uma matéria que é, por natureza, contratual e sujeita à negociação coletiva. "A reforma era a negação da contratação", explicou Scotti, porque, através de vias legislativas e não negociais, teria alterado a convenção dos médicos de família sem diálogo.

A proposta, nascida com a intenção de aliviar o nó do pessoal nas chamadas Casas da Comunidade, corria o risco de abrir caminho a uma deregulação regional das atividades de atenção primária. Em palavras do secretário da Fimmg, a intenção inicial — legítima no desejo de reforçar os serviços locais — teria acabado por fragmentar ainda mais a rede de cuidados primários, comprometendo a unidade do sistema.

Como quem observa uma paisagem que muda com o vento, Scotti sublinha que o debate revelou uma tensão entre a necessidade de reforçar serviços e o perigo de criar caminhos legislativos que desmanchem acordos coletivos. Para os médicos de família, a proteção da convenção é como a raiz de uma árvore: garante a estabilidade para que as folhas — os serviços prestados aos cidadãos — continuem a respirar em conjunto.

O posicionamento da Fimmg é, portanto, tanto de crítica como de defesa do método democrático e contratual. Scotti pede responsabilidade e prudência: se se aceita que a reforma tal como desenhada seria nociva, impõe-se agora recuperar o diálogo com as partes interessadas e reorientar a atenção para soluções que fortaleçam as Casas da Comunidade sem fragmentar o sistema nacional de saúde.

Na visão de quem acompanha as estações do bem-estar social, esta situação é uma colheita de alertas. A provocação — transformar por decreto acordos que definem a prática clínica — poderia ter sido a semente de um inverno para a medicina de família. Reconhecer o erro é o primeiro gesto para plantar outra vez com cuidado, respeitando as raízes contratuais que mantêm a árvore do serviço público de pé.

Fimmg conclui reiterando a disponibilidade para negociar soluções reais de reforço do pessoal e da organização das Casas da Comunidade, mas exige que qualquer mudança respeite a negociação coletiva e a coesão do Serviço Nacional de Saúde.