Gasto com medicamentos continua em alta: €21,03 bilhões nos primeiros 10 meses de 2025

Gasto farmacêutico atinge €21,03 bi nos primeiros 10 meses de 2025; pressão das compras diretas eleva despesas e desafia sustentabilidade do FSN.

Gasto com medicamentos continua em alta: €21,03 bilhões nos primeiros 10 meses de 2025

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Gasto com medicamentos continua em alta: €21,03 bilhões nos primeiros 10 meses de 2025

ROMA, 04 de maio de 2026 — A spesa farmaceutica italiana voltou a crescer, alcançando 21,027 bilhões de euros nos primeiros dez meses de 2025, segundo o monitoramento mensal da Aifa relativo ao período janeiro-outubro de 2025. O montante apresenta um desvio de 3,77 bilhões em relação ao teto programado, ou seja, um aumento de +15,3%.

O comportamento dos gastos desenha duas paisagens distintas: os medicamentos dispensados nas farmácias convenzionate e os adquiridos diretamente pelas estruturas sanitárias. A primeira parcela, a spesa convenzionata, soma 7,2 bilhões de euros; já os medicamentos comprados diretamente pelas unidades sanitarie chegam a 13,6 bilhões.

É justamente o segmento das aquisições diretas que pressiona o sistema: essa rubrica incide por 12,06% sobre o Fondo sanitario nazionale (FSN), ante 11,3% em 2024, ultrapassando o teto previsto de 8,3% e gerando um excesso total de 4,24 bilhões. Mesmo a despesa convenzionata, embora ainda abaixo do teto do 6,8% com um saldo positivo de 461,3 milhões, subiu para 6,39% do FSN contra 6,31% em 2024.

A Aifa atribui parte do aumento da dispensa convenzionata ao processo de recepção — não totalmente concluído em outubro de 2025 — dos efeitos da riclassificação de determinados antidiabéticos, mudança que alterou enquadramentos e reembolsos e ainda está em fase de adaptação nas rotinas administrativas e de prescrição.

Do ponto de vista sensível, como alguém que observa a respiração das cidades e as estações do cuidado, vejo nesse número a fotografia de um outono que ainda não resolveu suas folhas: a pressão sobre as compras diretas sinaliza inovações terapêuticas e necessidades hospitalares crescentes, enquanto o leve aumento na venda em farmácia revela ajustes graduais nas práticas clínicas e no acesso da população.

Para gestores e cidadãos, o quadro impõe perguntas práticas e ecológicas: como manter a sustentabilidade do Fundo com o avanço terapêutico? Como equilibrar inovação e contenção? A resposta passa por políticas de compras mais estratégicas, maior coordenação entre níveis assistenciais e um cuidado atento ao "tempo interno do corpo" e às rotinas de prescrição que, como raízes sob o solo, sustentam o consumo do sistema.

Em termos imediatos, os dados da Aifa traçam um caminho claro: é urgente monitoramento contínuo das aquisições diretas e medidas que controlem o desvio do teto, sem tolher o acesso a terapias essenciais. Ao mesmo tempo, necessita-se concluir a atualização dos critérios de reclassificação de medicamentos para evitar efeitos de transição que pressurizam a conta pública.

Em suma, os 21,027 bilhões de euros dos primeiros dez meses de 2025 não são apenas uma cifra; são o termômetro de um sistema em transformação. Como quem caminha por uma paisagem que muda de cor, devemos pensar em estratégias que preservem a saúde do terreno: a sustentabilidade financeira e o bem-estar coletivo.