Gismondo tranquiliza sobre hantavírus: “Sem pandemia, sem lockdown; vacinas neste caso são infundadas”
Gismondo afasta risco de pandemia por hantavírus: sem lockdown; explica transmissão, números e critica alarmismo e vacinas em massa.
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Gismondo tranquiliza sobre hantavírus: “Sem pandemia, sem lockdown; vacinas neste caso são infundadas”
Maria Rita Gismondo, virologista ouvida pelo Giornale d'Italia, traz um olhar sereno sobre o recente alerta em torno do hantavírus, conhecido como o “vírus dos roedores”. Em uma conversa que mistura experiência clínica e observação sensível, ela afasta o espectro de uma nova pandemia e de medidas extremas como o lockdown, além de criticar propostas de vacinação em massa para uma infeção com este perfil.
Gismondo lembra que o hantavírus é um conjunto de espécies virais presentes em várias partes do mundo. Em Europa e Ásia circulam quatro variantes que raramente causam infeções; segundo dados do ISS, em 2025 os casos registrados foram tão poucos «que cabem na palma da mão», sem óbitos na Itália ou na União Europeia. Já nas Américas, a espécie Andes tem sido responsável por surtos localizados: em 2025 foram notificados 229 casos com 30 óbitos em toda a região.
Quanto às vias de transmissão, a especialista explica que a infeção ocorre principalmente pela inalação de partículas de fezes ou urina de roedores; a transmissão pessoa a pessoa é um evento excepcional. No caso recentemente noticiado, um ornitólogo — chamado pela mídia de “paciente zero” — visitou uma reserva de aves onde foram observados pássaros que se alimentavam de roedores mortos. O pesquisador e sua esposa foram infectados e vieram a falecer. Com contatos próximos, o número de casos subiu para sete; passou-se cerca de um mês desde o episódio e os registros permanecem em torno desse total, com quatro pessoas em quarentena por contato com os falecidos.
Gismondo salienta que o Ministério da Saúde agiu com prudência, emitindo uma circular e adotando medidas proporcionais, e que tanto a Organização Mundial da Saúde quanto o próprio ministério não consideram o evento como prelúdio de uma pandemia. "Não haverá nenhuma pandemia", afirma, reforçando que a comunicação mudou: «não estamos mais em uma sucessão de circulares e decretos diários».
Sobre o clima de apreensão, a virologa aponta dois desencadeadores. Primeiro, o trauma recente da pandemia de Covid-19 permaneceu como um solo sensível, onde qualquer notícia sobre vírus faz brotar pânico. Segundo, há uma dinâmica social que se alimenta do medo: manchetes e conteúdos que geram visualizações prosperam, e «muitos especialistas viraram influenciadores» — mistura que pode distorcer a função primordial dos profissionais de saúde, que é cuidar e esclarecer, não angariar audiência.
No tom franco que lhe é conhecido, Gismondo critica também abordagens simplistas como «Tachipirina e vigile attesa», qualificando-as de nonsense quando transformadas em roteiro único de atuação. Ela defende que debates técnicos, como um «tavolo tecnico» para monitorar eventos adversos de vacinas, podem ser mais úteis do que comissões de inquérito puramente políticas. Em seu novo livro, "Il ruggito della pecora nera", a autora analisa erros na gestão da pandemia passada, argumentando que o vacinar-se contra a Covid não implicava proteção plena contra a infeção e que vozes críticas foram muitas vezes silenciadas.
Sobre a retirada de obrigatoriedade vacinal para crianças, a posição de Gismondo é cautelosa: «D'accordo, ma a metà» — favorável, mas com reservas e critérios. Em essência, sua mensagem é de calma e proporcionalidade: observar o quadro com olhos clínicos, não com pânico; cuidar das pessoas sem sacrificar a clareza. Como quem caminha num bosque pós-chuva, ela nos lembra que a paisagem do risco tem caminhos claros e atalhos enganadores — é preciso escolher a trilha da razão.
Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia