HTA como guia da inovação: da oncologia ao envelhecimento, Agenas traça rumo para tecnologia em saúde
Marchetti (Agenas) defende HTA como governança da inovação, orientando desenvolvimento e integração de tecnologias da oncologia ao envelhecimento.
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HTA como guia da inovação: da oncologia ao envelhecimento, Agenas traça rumo para tecnologia em saúde
Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário em que a inovação precisa responder a necessidades cada vez mais complexas, desde a oncologia até o desafio do envelhecimento populacional, o Health Technology Assessment (HTA) assume hoje um papel de verdadeira governança. Foi essa a mensagem central de Marco Marchetti, diretor da UOC HTA da Agenas, durante o encontro “Dialoghi sull’Innovazione Accessibile – Innovaction”, promovido em Roma por GSK e Espresso Italia.
Marchetti explicou que o HTA não se limita a julgar tecnologias já prontas: ele orienta o desenvolvimento, indicando caminhos que aumentam a probabilidade de que novas ferramentas produzam benefícios concretos aos pacientes. É como acompanhar uma colheita: não basta avaliar o fruto no fim da estação, é preciso cuidar da semente, do solo e da água para garantir que a safra valha a pena.
Segundo Marchetti, um desenvolvedor interessado em criar uma nova tecnologia pode buscar o HTA para obter indicações sobre o percurso de desenvolvimento mais eficaz. Isso não elimina o risco empresarial — algumas soluções prosperarão, outras não —, mas traz uma dose maior de segurança e previsibilidade. Seguindo as recomendações do HTA, o acesso às inovações tende a ser mais facilitado, uma vez que quem financia já terá definido os requisitos necessários.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de olhar para os avanços no contexto em que serão usados. Medicamentos inovadores, dispositivos médicos e demais tecnologias só mostram seu real valor se integrados aos processos organizacionais que moldam o dia a dia do paciente. E aqui entra uma realidade pragmática: o Ssn é sustentado por recursos públicos limitados, enquanto os pedidos de cuidado crescem. "A primeira tarefa é fazer escolhas precisas", lembra Marchetti — planejar a chegada dessas inovações aos percursos clínicos e harmonizar procedimentos para que a prática cotidiana incorpore o novo sem rupturas.
Marchetti também apontou uma inadequação no sistema italiano: muitos dispositivos médicos inovadores não contam com uma tarifa de reembolso específica. Em outros países, como a França, existe um processo de validação que, sendo bem-sucedido, dá origem a uma tarifa de reembolsabilidade e a um preço de referência. Isso é, nas palavras do diretor, governança da inovação tecnológica. Na Itália, as tarifas de reembolso permanecem ancoradas a programas gerais que não capturam as nuances das novidades. "Dessa situação é possível sair, repensando um pouco o sistema", conclui Marchetti.
Para quem observa a paisagem da saúde com atenção sensível, o HTA surge como uma bússola: não apenas avaliadora, mas orientadora, capaz de alinhar esperança tecnológica com realidade organizacional e financeira. Como na respiração lenta de uma cidade que se reinventa, o programa de avaliações pode fazer com que a inovação entre em cena de maneira harmoniosa, respeitando ritmos, ciclos e a dignidade do paciente.