Marstacimab (Hympavzi): novo horizonte na profilaxia da emofilia A e B na Itália
Marstacimab (Hympavzi) aprovado na Itália para profilaxia semanal subcutânea da emofilia A e B severas sem inibidores. Novo passo na terapia.
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Marstacimab (Hympavzi): novo horizonte na profilaxia da emofilia A e B na Itália
Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia
Em 20 de março de 2026, com a publicação da determinação da AIFA na Gazzetta Ufficiale, marstacimab (comercializado como Hympavzi) tornou-se oficialmente disponível na Itália em regime de reembolso. É um marco que, como a primeira luz após uma longa madrugada, abre novas possibilidades no cuidado de quem convive com emofilia A e emofilia B severas.
O medicamento, desenvolvido pela Pfizer, é administrado por via subcutânea, uma vez por semana, através de uma caneta pré-preenchida e em dose fixa. Está indicado para a profilaxia rotineira de episódios hemorrágicos em pacientes com emofilia A e B severa sem inibidores, com 12 anos ou mais e peso igual ou superior a 35 kg.
Segundo o último relatório do Istituto Superiore di Sanità sobre coagulopatias congênitas, estima-se que cerca de 5.000 pessoas vivam com emofilia na Itália. As formas mais comuns são a emofilia A, que afeta mais de 4.000 pacientes, e a emofilia B, com aproximadamente 900 casos. Ambas decorrem da deficiência de fatores essenciais à coagulação — o fator VIII (FVIII) na emofilia A e o fator IX (FIX) na emofilia B — peças-chave do delicado mecanismo que permite ao corpo fechar feridas e conter sangramentos.
Enquanto as terapias tradicionais baseiam-se na reposição desses fatores por via endovenosa, marstacimab representa uma abordagem diferente: é o primeiro tratamento não substitutivo aprovado com mecanismo que visa o reequilíbrio da hemostasia. Agindo sobre o domínio Kunitz 2 do TFPI (Tissue Factor Pathway Inhibitor), uma proteína que modera o processo de coagulação, o fármaco reduz as perdas sanguíneas ao inibir esse freio natural, restaurando o equilíbrio sem repor diretamente os fatores ausentes.
Na prática clínica, apesar dos avanços, persistem necessidades não atendidas. “Uma das principais desafios continua a ser o controle dos sangramentos — explica Maria Elisa Mancuso, Referente do Centro de Doenças Hemorrágicas no IRCCS Humanitas Research Hospital e Professora a Contrato na Humanitas University — que colocam risco real aos pacientes, causando ao longo do tempo complicações articulares e impacto significativo na qualidade de vida. Soma-se a isso o peso das infusões endovenosas, necessárias em muitas terapias.”
É nesse cenário que marstacimab encontra seu lugar: com o seu mecanismo anti-TFPI não substitutivo e a via subcutânea, o tratamento promete reduzir episódios hemorrágicos e simplificar a profilaxia, aliviando a carga das infusões e oferecendo uma rotina mais leve para pacientes e cuidadores. A administração fixa e semanal facilita a adesão, algo que muitas vezes faz a diferença entre um outono de cuidados apertados e um novo despertar para a vida cotidiana.
Como observador das estações do corpo e da cidade, vejo nesta aprovação algo semelhante a uma nova estação: não substitui os cuidados que já existem, mas planta sementes de autonomia e bem-estar. Para muitos pacientes, a mudança de um tratamento intravenoso frequente para uma caneta pré-preenchida subcutânea é como trocar o inverno das incertezas por um começo de primavera, onde pequenos gestos repetidos geram flores de segurança e movimento.
Seguiremos acompanhando a implementação clínica, os desfechos em vida real e a recepção pelos centros especializados. O horizonte se amplia: cada nova opção terapêutica renova a esperança de uma vida com menos sangramentos, menos limitação articular e mais presença nas pequenas alegrias do dia a dia — o aroma do café pela manhã, uma caminhada sob o sol de final de tarde, a respiração tranquila da cidade.