Mapa dos perigos à saúde dos italianos em 2025: álcool, e‑cig e sedentariedade em destaque

Relatório Istat 2025 revela álcool, cigarro eletrônico e sedentariedade como principais riscos à saúde dos italianos.

Mapa dos perigos à saúde dos italianos em 2025: álcool, e‑cig e sedentariedade em destaque

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Mapa dos perigos à saúde dos italianos em 2025: álcool, e‑cig e sedentariedade em destaque

Por Alessandro Vittorio Romano — A paisagem cotidiana da Itália traz, junto ao aroma do café e ao compasso das estações, sinais que nos lembram que o bem‑estar coletivo respira em ritmo complexo. O último relatório do Istat, "Fattori di rischio per la salute: peso, sedentarietà, fumo e alcol" (2025), desenha um mapa sensível dos riscos que rondam nossa saúde: do uso de álcool ao avanço do cigarro eletrônico, passando pela persistente sedentariedade e pelo desafio do sobrepeso e da obesidade.

Os números falam como estações que mudam de cor: mais de 8 milhões de italianos (15,1% da população com mais de 11 anos) apresentam pelo menos um comportamento de risco relacionado ao álcool. O consumo habitual excessivo atinge 8,3% da população (11,4% entre os homens e 5,3% entre as mulheres), enquanto o binge drinking é praticado por 8,2% dos compatriotas (12,0% homens; 4,6% mulheres). São vagas que revelam padrões enraizados, como se fossem velhos caminhos que precisam ser replantados.

O fumo ainda é uma presença forte: 18,6% dos italianos são fumantes. A prevalência mais elevada aparece entre os jovens de 18 a 24 anos (22,9%), atingindo o pico entre 25 e 34 anos (27,4%). Em contraponto, o uso de sigaretta elettronica e de produtos de tabacco riscaldato — os chamados dispositivos não combustíveis — praticamente dobrou em quatro anos, subindo de 3,9% em 2021 para 7,4% em 2025. É uma mudança rápida, como a emergência de uma nova planta numa calçada antiga.

A boa notícia é que a sedentariedade mostrou redução em relação a 2024, caindo 2,4 pontos percentuais. Ainda assim, mais de 30% da população permanece fisicamente inativa, e o abandono do movimento é mais pronunciado entre aqueles com menor escolaridade (quase 49%) e nas regiões do Sul: no Mezzogiorno 41,2% não praticam atividade física, contra 26% no Centro e 20,3% no Norte. Esses contrastes regionais lembram as variações do solo italiano — alguns lugares são férteis, outros exigem cultivo cuidadoso.

Quanto ao peso, a situação se mantém estável no curto prazo, mas revela sinais de alerta no horizonte decenal. Em 2025, 46,4% dos adultos estão em excesso de peso (era 46,3% em 2023): 34,8% em sovrappeso e 11,6% em obesità, equivalente a cerca de 5,75 milhões de pessoas. Em dez anos, a taxa de obesidade cresceu de 9,8% para 11,6%, impulsionando o aumento total de 1,3 ponto percentual. Novamente, o Sul registra prevalências mais altas (49,3% no Mezzogiorno: 37,0% em sobrepeso e 12,3% em obesidade), enquanto o Norte apresenta números mais baixos (32,1% e 10,6%, respectivamente).

O Piano Nazionale della Prevenzione 2020‑2025 reforça que os fatores comportamentais e o contexto social e ambiental respondem por cerca de 60% das doenças crônicas não transmissíveis. Como observa o epidemiologista Giovanni Rezza, o sobrepeso e a obesidade são determinantes importantes para doenças cardiocirculatórias e para alguns tipos de câncer; o fumo e o álcool continuam sendo potentes fatores de risco, com efeitos proporcionais à quantidade consumida.

O oncologista Francesco Cognetti lembra que a prevenção deve começar entre os mais jovens e que o papel do esporte na redução do risco de neoplasias é frequentemente subestimado. É uma chamada a transformar hábitos: assim como um pomar bem cuidado devolve frutos saudáveis, a cidade, a escola e a família podem reinventar as rotinas que nutrem a saúde.

Em suma, o retrato traçado pelo Istat em 2025 é composto por contrastes — avanços modestos na atividade física e piora no uso de novos produtos de tabaco — e por números que pedem atenção imediata. Viver bem na Itália, para além do encanto das paisagens, é também uma prática diária, um cuidado que nasce nas pequenas escolhas e que floresce quando cultivado coletivamente.