Sicília enfrenta paradoxo: 604 na lista para transplante de rim contra 4.500 potenciais candidatos

Sicília registra 604 na lista de espera para transplante de rim, enquanto 4.500 poderiam ser inseridos; aumento da oposição à doação preocupa autoridades.

Sicília enfrenta paradoxo: 604 na lista para transplante de rim contra 4.500 potenciais candidatos

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Sicília enfrenta paradoxo: 604 na lista para transplante de rim contra 4.500 potenciais candidatos

Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio ao aroma de ervas e ao ritmo suave das estações, chega uma notícia que nos convida a olhar para a saúde como um jardim a cuidar. Na Sicília existem hoje 604 pacientes em lista de espera por transplante de rim, enquanto cerca de 4.500 pessoas poderiam ser inseridas nessa lista, segundo dados apresentados durante a edição regional do evento Nefrochef - o gosto da vida, no Gambero Rosso Academy, em Palermo.

Do total de inscritos na fila de transplante por doador cadáver, a distribuição é a seguinte: 126 no Civico de Palermo, 331 no ISMETT e 117 no Policlinico de Catania. Estes números, como raízes à vista, revelam lacunas no sistema que pedem atenção urgente.

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Em 2025 foram realizados 228 transplantes na Sicília, dos quais 97 foram de rim. Para comparação, em 2024 ocorreram 307 transplantes no total, sendo 146 renais. No front da diálise, o registro regional mostra 5.413 pacientes prevalentes em 2025 e 639 incidentes — isto é, novos pacientes que iniciaram diálise naquele ano. Em 2024, os prevalentes eram 5.265 e os incidentes 712; em 2023, 5.231 prevalentes e 829 incidentes.

Os dados foram divulgados por Angelo Ferrantelli, presidente da Fundação Italiana do Rim Sicília e diretor da unidade de Nefrologia, Diálise e Transplante Renal do ARNAS Ospedale Civico de Palermo, e por Marco Guarneri, diretor da unidade de Nefrologia e Diálise do Policlinico Universitário de Palermo. A apresentação ocorreu em conjunto com a FIR Sicília, em ocasião do Dia Mundial do Rim.

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Como lembram Ferrantelli e Guarneri, o dado mais dramático é a diferença entre os que estão inscritos e os que poderiam estar: 604 contra 4.500. Além do impacto humano, há um custo para o sistema de saúde: um paciente em diálise custa cerca de 50 mil euros por ano. Em outras palavras, um investimento em prevenção, doação e transplante é também uma colheita econômica e social.

Nos últimos três anos observou-se um aumento significativo da oposição à doação, mesmo quando havia declaração de disponibilidade do doador. Após uma ligeira queda em 2024, as oposições voltaram a subir em 2025. O episódio trágico do menino Domenico, em Nápoles, teve um efeito cascata, levando ao cancelamento de muitas doações. Segundo os especialistas, cada doador pode permitir que até sete pessoas continuem a viver — uma imagem forte, como uma árvore que alimenta várias vidas com uma só raiz.

Com o slogan "Proteja seus rins hoje: prevenção salva sua vida, a doação pode salvar muitas outras", a iniciativa levou à cozinha 12 pacientes com doenças renais graves e seus cuidadores. Divididos em quatro equipes, foram guiados por chefs estrelados como Nino Graziano, Tony Lo Coco, Pino Cuttaia, Carmelo Trentacosti, Mario Peqini e Pietro La Torre, num duelo culinário que uniu sabor, cuidado e cidadania. O apresentador Luciano Di Marco deu voz a esse encontro entre saúde e prazer, lembrando que a cultura do alimento pode ser também cultura da vida.

Ao final, fica o convite: cuidar dos rins é um gesto de rotina com força de maré — pequenas práticas são capazes de mudar destinos. E a doação, quando acolhida, multiplica-se em vidas renovadas. Como observador atento, convido você a pensar na saúde como um pomar que precisa de mãos dispostas a plantar e proteger.

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