Svante Pääbo leva genética evolutiva ao 18º Simpósio IMPS em Florença: diálogo entre paleogenômica e terapias inovadoras

Svante Pääbo em Florença no 18º IMPS apresenta diálogo entre paleogenômica, CRISPR, mRNA e estratégias para doenças lisossomais.

Svante Pääbo leva genética evolutiva ao 18º Simpósio IMPS em Florença: diálogo entre paleogenômica e terapias inovadoras

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Svante Pääbo leva genética evolutiva ao 18º Simpósio IMPS em Florença: diálogo entre paleogenômica e terapias inovadoras

Abriu-se em Florença, no Palazzo dei Congressi, o 18º Simpósio Internacional sobre mucopolissacaridoses e doenças lisossomais relacionadas (IMPS 2026), um encontro que traça a linha do tempo entre duas décadas de avanços clínicos e a rota dos próximos vinte anos. Quatro dias de debate e convivência entre o Palazzo dei Congressi e o Palazzo degli Affari, onde ciência, famílias e inovação respiram no mesmo compasso.

Organizado pelo International Mucopolysaccharides Network (IMPSN) sob a coordenação da doutora Kim Angel, pela Associazione Italiana Mucopolisaccaridosi (AIMPS) com o presidente Flavio Bertoglio e pela Fundação Brains for Brain do professor Maurizio Scarpa — coordenador da MetabERN — o congresso reuniu pesquisadores, clínicos, ativistas e famílias para transformar perguntas complexas em caminhos práticos.

O ponto alto do sábado, 6 de junho, foi a presença do laureado com o Prêmio Nobel de Medicina de 2022, Svante Pääbo. Pai da paleogenômica e descobridor dos genomas de Neanderthal e Denisovanos, Pääbo ofereceu uma lectio magistralis que abriu um diálogo inédito entre a genética evolutiva e a medicina das doenças raras, lembrando que as raízes do bem-estar humano passam pelo solo antigo dos nossos genes.

No mesmo dia, foram discutidas terapias que buscam ultrapassar barreiras tão físicas quanto simbólicas: Robert Thorne (Columbia University) falou sobre estratégias para vencer a barreira hematoencefálica, crucial nas formas que atingem o cérebro; Alessandro Fraldi e Natalia Gomez-Ospina apresentaram as novas gerações de terapias genéticas baseadas em CRISPR e mRNA, enquanto Billie Lianoglou abordou a fronteira — também ética — da terapia fetal. A programação encerrou com a visionary lecture de Chester Whitley, intitulada “One Gene, One Edit, One Cure”.

O congresso também aproximou tecnologia e clínica: sessões dedicadas ao machine learning mostraram como a inteligência artificial pode acelerar o diagnóstico precoce, com debates sobre nós regulatórios e implicações éticas do uso de IA na medicina.

No domingo, 7 de junho, foi apresentada a Florence Declaration: Families and Scientists United for Global MPS Progress, co-moderada por Scarpa e Angel. O documento desenha metas ambiciosas para as próximas duas décadas: erradicar atrasos diagnósticos, garantir acesso equitativo às terapias em todos os países, criar registros internacionais para acompanhamento a longo prazo e alinhar ações ao plano europeu para medicamentos órfãos e ao EU Action Plan on Rare Diseases.

Um traço distintivo do evento foi o Family Programme, realizado no Palazzo degli Affari de 5 a 7 de junho: pacientes e familiares foram protagonistas, participando de sessões sobre saúde mental, dor crônica, triagem neonatal e outros temas que tocam a vida cotidiana. Em cada conversa, senti a respiração da cidade e a forma como a comunidade colhe esperança no trabalho conjunto entre ciência e família — uma colheita de hábitos que nutre o tempo interno do corpo e da alma.

IMPS 2026 mostrou que a medicina das doenças raras é, ao mesmo tempo, um mapa científico e uma paisagem humana. Entre avanços tecnológicos, desafios éticos e uma declaração de intenções globais, a mensagem que fica é clara: unir genealogia, inovação e empatia para transformar conhecimento em cuidado. A paisagem florentina, com seu tecido histórico, ofereceu o cenário ideal para esse encontro, lembrando que estudar o passado do genoma é também preparar o solo para futuras colheitas de saúde.