Trapianti em alta na Itália, mas aumentam recusas à doação de órgãos após caso que abalou a confiança

Trapianti em alta na Itália: recorde em 2025, mas crescem recusas à doação após caso que abala a confiança pública.

Trapianti em alta na Itália, mas aumentam recusas à doação de órgãos após caso que abalou a confiança

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Trapianti em alta na Itália, mas aumentam recusas à doação de órgãos após caso que abalou a confiança

O tema da doação de órgãos volta a pulsar no centro do debate público italiano em um momento delicado, marcado sobretudo pelo caso de Domenico Caliendo, a criança de dois anos e meio que foi submetida a um transplante de coração no hospital Monaldi de Nápoles e que, posteriormente, faleceu. A abertura de uma investigação pela procura reforçou uma sombra de desconfiança sobre o sistema nacional de transplantes, como se a confiança coletiva tivesse sido levada por um vento rápido durante uma tarde de outono.

É nesse cenário que nasce a nova campanha nacional “Dai voce al tuo sì. Scegli di donare”, promovida pelo Ministério da Saúde e pelo Centro nazionale trapianti, em aliança com as principais associações do setor, em preparação à Giornata nazionale della donazione do dia 19 de abril. Do dia 12 ao 25 de abril, um spot será veiculado em todas as redes televisivas nacionais e em muitas emissoras locais, com versões para rádio nas principais estações nacionais e locais. O lançamento foi apresentado pelo ministro Orazio Schillaci, pelo diretor do Centro Nacional de Transplantes Giuseppe Feltrin e conta com a voz do ator e dublador Luca Ward, que dá corpo e emoção ao convite.

Uma pesquisa recente, encomendada ao instituto Noto Sondaggi pelo Centro nazionale trapianti, revela um dado sensível: quase 40% das pessoas que renovam a carteira de identidade descobrem apenas no guichê do Comune que podem manifestar sua vontade sobre a doação de órgãos e tecidos. É o que poderíamos chamar de um florir repentino de decisões — um efeito surpresa que impede que a escolha seja fruto de reflexão prévia. Segundo o levantamento, metade dos cidadãos decide no momento o que declarar; e são justamente essas decisões tomadas por impulso que mostram maior propensão ao não ou à abstenção: 58% dos que optaram pelo não o fizeram no balcão, assim como quase 80% dos que preferiram não se manifestar.

Apesar dessas sombras, os números consolidados de 2025 trazem motivos para esperança: foi o melhor ano de sempre para a rede de transplantes italiana, com 2.164 doações de órgãos (+3,2%) originadas de mais de 3.200 notificações de potenciais doadores nas unidades de reanimação. No total, foram realizados 4.697 transplantes, 55 a mais que no ano anterior. A taxa nacional subiu para 30,2 doadores por milhão de habitantes, posicionando a Itália entre os países mais avançados da Europa nessa área.

Regiões como Vêneto, Toscana e Piemonte impulsionaram esses resultados, enquanto o Mezzogiorno também mostrou sinais positivos, como pequenas brotações de um pomar que lentamente volta a frutificar. No detalhe dos procedimentos, o aumento mais robusto aconteceu nos transplantes de coração, que passaram de 413 para 461 em um ano (+11,6%). Os transplantes de rim se mantiveram estáveis em 2.347, enquanto os de fígado tiveram ligeiro crescimento, alcançando 1.770. Além disso, foram registrados 150 transplantes de pulmão e 33 de pâncreas, reforçando a diversidade e complexidade das intervenções realizadas.

Outro elemento acolhedor desse panorama vem dos donantes vivos: em 2025, subiram para 382 (sendo 357 de rim e 25 de fígado), um sinal de solidariedade íntima, quase como raízes que se estendem de uma família para outra.

À medida que caminhamos por essas cifras e histórias, a mensagem da campanha é clara: transformar o ato de doar em escolha consciente, cultivada antes do encontro com o balcão do Comune. Em tempos em que a confiança pode vacilar, é preciso semear diálogo, esclarecer dúvidas e acolher dúvidas humanas, para que a decisão de dizer sim seja fruto de entendimento e de uma colheita serena de valores.