No verão, acessos ao pronto-socorro sobem 15% e hospitais enfrentam falta de pessoal

Sindicato alerta: no verão, acessos ao pronto-socorro sobem 15% e falta de pessoal atinge 25–70% dos quadros em 70% das unidades.

No verão, acessos ao pronto-socorro sobem 15% e hospitais enfrentam falta de pessoal

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No verão, acessos ao pronto-socorro sobem 15% e hospitais enfrentam falta de pessoal

Como observador atento das estações que moldam a vida nas cidades, sinto que a cidade respira de forma diferente no verão — e essa respiração mais quente também altera a saúde coletiva. Segundo o sindicato dos médicos Anaao Assomed, o afluxo de pacientes aos pronto-socorros italianos aumenta cerca de 15% nos meses mais quentes, enquanto o pessoal disponível diminui devido às férias e ausências.

Pierino Di Silverio, secretário do sindicato, afirma que «os acessos ao pronto-socorro aumentam de pelo menos 15%, sobretudo por doentes crônicos e idosos, que ficam muitas vezes sozinhos na cidade sem o suporte dos familiares. Ao mesmo tempo, o pessoal diminui em média até 20% por causa das férias». Essa combinação cria um contraste sensível: mais demanda, menos pessoas para atendê-la — como uma colheita que pede mãos e encontra poucos colhedores.

O problema, acrescenta Di Silverio, não é apenas sazonal. Trata-se de uma lacuna estrutural: em cerca de 70% dos pronto-socorros existe uma falta significativa de médicos, com carências que variam entre 25% e 70% do efetivo previsto. A resposta imediata tem sido um recurso a profissionais externos — gettonisti (médicos por chamada), pensionati (aposentados que retornam temporariamente) — e colegas que adiam suas folgas.

Entre os enfermeiros, o panorama repete-se: para tapar buracos, recorrem-se a turnos duplos e ao cancelamento de descansos. O efeito é visível não apenas nas filas e nos tempos de espera, mas também no desgaste humano da equipe. A gestão dos períodos de repouso, segundo o sindicato, tornou-se mais complexa e, por vezes, negligenciada pela urgência das demandas.

Em linguagem mais sensível: o tempo interno dos hospitais acelera no verão, enquanto as raízes do bem-estar — equipe estável, descanso e continuidade de cuidados — ficam expostas. Entre os que mais chegam estão idosos e doentes crônicos, cuja rotina e suporte familiar muitas vezes diminuem na estação das viagens. Para essas pessoas, o pronto-socorro vira um porto temporário.

As soluções apontadas pelo sindicato soam como paliativos diante de um solo que precisa ser replantado: reforço temporário com externos, apelos à redistribuição de turnos e um pedido implícito por políticas que garantam quadros completos e bem remunerados. Sem isso, a cada verão voltaremos a ver a mesma maré — mais entradas, menos profissionais, mais cansaço.

Como quem aprecia os ritmos sazonais e os traduz em cuidado prático, proponho que a cidade e as instituições vejam o verão não só como um desafio logístico, mas como um convite para pensar a saúde com a calma de quem prepara a terra para a próxima estação: com planejamento, respeito ao descanso e atenção às fragilidades dos mais velhos.

Alessandro Vittorio Romano — observador sensível dos dias, para Espresso Italia