Violetti alerta: autodiagnóstico por chatbot é risco real para a saúde pública
Violetti (Confassociazioni digital) alerta: autodiagnóstico por chatbot pode ser perigoso; médico deve permanecer como decisor final.
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Violetti alerta: autodiagnóstico por chatbot é risco real para a saúde pública
Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante a conferência nacional "Ai & cybersecurity in Sanità: orizzonti strategici e impatti verticali", Andrea Violetti, presidente da Confassociazioni digital, fez um alerta que soa como o vento frio de uma manhã de outono: passar do doutor Google para o doutor IA pode deixar o cidadão vulnerável. "O risco é que o indivíduo comece a autodiagnosticar-se por meio do uso dos Large Language Models", disse Violetti.
O tom de Violetti é direto e cuidadoso, como quem observa a respiração da cidade antes de uma mudança de tempo. Ele ressalta que, enquanto o exercício de usar chatbots e assistentes de Inteligência Artificial for apresentado ao médico de forma colaborativa, ainda há margem de recuperação. "O profissional de saúde poderá entender os limites de uma hipótese gerada por um modelo linguístico", afirmou. "O verdadeiro perigo é quando alguém começa a se tratar sozinho."
Violetti lembrou o que a lei italiana — que incorpora o Regulamento europeu AI Act — estabelece nos artigos 7 e 8: é o médico o último decisor, a única pessoa apta a determinar o que dizer em termos de diagnóstico, tratamento médico ou cirurgia robótica. Essa regra é a raiz que nos protege contra atalhos perigosos na trilha do cuidado.
Para fundamentar seu alerta, Violetti citou um estudo da Universidade de Oxford, publicado na revista Nature Medicine em fevereiro de 2026, que testou a confiabilidade de sistemas de autodiagnóstico automatizado por meio de chatbot. O cenário é duplo: quando a pergunta é formulada de forma correta por um especialista, a conformidade das respostas chega a 90-95%. Mas, quando a mesma pergunta vem de um cidadão comum, a acurácia despenca para cerca de 30%. "Este é um risco que não podemos correr", enfatizou.
Além do debate clínico, Violetti trouxe à tona a questão da soberania digital, entendida não como um ideal distante, mas como uma necessidade prática nas escolhas de investimento. "É estranho pensar que nossos dados de saúde não residam na Itália ou na Europa", disse, lembrando que soberania implica ter controle tanto sobre os dados quanto sobre os algoritmos. Ele observou, com um olhar voltado para o mapa geopolítico da tecnologia, que a disputa global pela liderança em IA concentra-se entre Estados Unidos e China, que investem bilhões nessa área.
O recado de Violetti é um convite à cautela: como quem colhe hábitos saudáveis para atravessar as estações, devemos construir um ecossistema de saúde digital onde a tecnologia complemente, e nunca substitua, o julgamento clínico. A proteção do paciente depende tanto da qualidade das ferramentas quanto do lugar onde repousam os nossos dados de saúde.


