Roadmap verde da indústria do vidro: da redução do consumo de água às energias renováveis

Relatório da Assovetro revela avanços da indústria do vidro: redução hídrica, 37% de energia renovável em 2024 e investimentos recordes em inovação.

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Roadmap verde da indústria do vidro: da redução do consumo de água às energias renováveis

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — O quarto Relatório de Sustentabilidade da Assovetro ilumina um caminho de transformação na indústria do vidro italiana, revelando avanços concretos em eficiência, inovação e responsabilidade ambiental. Entre 2023 e 2024, o setor mostrou números que traduzem tanto resiliência quanto compromisso: faturamento de €3,82 bilhões em 2024, relação custos/receitas melhorada para 88,2% e investimentos em ambiente e segurança que alcançaram €30 milhões.

O estudo, que cobre o desempenho social, econômico e ambiental de 14 associadas — 11 produtoras de vidro cavo e 3 de vidro plano, representando cerca de 80% da capacidade industrial instalada na Itália — traz dados que revelam um setor em movimento, sem perder de vista o desafio coletivo de reduzir impactos e semear inovação.

Entre os pontos mais luminosos do relatório estão as melhorias na economia circular e a substancial redução do consumo hídrico: desde 2016, os consumos de água foram reduzidos pela metade. No campo energético, observa-se uma mudança evidente na matriz: em 2024, 37% da energia consumida já era de origem renovável, contra 11% apenas dois anos antes — um salto que aponta para um horizonte mais limpo e competitivo.

Apesar do progresso, o setor também enfrentou ventos contrários. A produção total de vidro desacelerou, situando-se em torno de 5 milhões de toneladas no bienio, pressionada pela queda do consumo vinculada à inflação e às tensões internacionais. As despesas com energia, componente essencial da atividade — já que o vidro precisa atingir altas temperaturas para ser moldado — tiveram impacto relevante nos custos de produção: representaram 22,12% em 2023 e 18,9% em 2024, num contexto em que em 2022 chegaram a quase 29%, com picos mais expressivos em momentos de tensão energética.

Um sinal claro de aposta no futuro é o volume de investimentos: mais de €270 milhões empregados em plantas e inovação em 2024 (cerca de 9% do faturamento), o montante mais alto desde 2016, salvo um pico em 2018. Esses recursos sustentam modernizações que aumentam a eficiência energética, reduzem emissões e ampliam a capacidade de incorporar reciclados e tecnologias verdes.

Em palavras de Marco Ravasi, presidente da Assovetro, o relatório mostra que as empresas do setor “continuam a percorrer a via de uma produção cada vez mais sustentável, investindo em pesquisa e desenvolvimento e adotando soluções para reduzir o impacto ambiental”. Ele ressalta, com razão pragmática, que a transição ecológica requer também suporte público: políticas consistentes e incentivos são essenciais para que a mudança se consolide e multiplique efeitos positivos sobre competitividade e emprego.

O relatório também mapeia emissões de CO2, que se mantêm essencialmente estáveis no curto prazo, mas mostram tendência de queda no horizonte mais amplo, e destaca que o gás ainda responde por parcela significativa do consumo energético (aproximadamente 65% do mix energético), reforçando a urgência de acelerar a substituição por fontes limpas.

Ao tecer esse balanço, a indústria do vidro italiana demonstra que sustentabilidade e desempenho podem caminhar juntos. Há desafios reais — da volatilidade dos custos energéticos à necessidade de políticas públicas claras —, mas também há soluções palpáveis sendo implementadas. É um momento de florescer responsável: cada investimento, cada redução de água e cada megawatt renovável instalado ajudam a revelar novos caminhos para uma indústria que quer deixar um legado de luz e durabilidade.