Ataque russo a centro comercial em Kryvyi Rih deixa pelo menos 6 mortos e 91 feridos
Ataque russo a centro comercial em Kryvyi Rih mata 6 e fere 91; segundo drone atingiu socorristas, diz Zelenskyy. Intensificação de ataques a civis.
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Ataque russo a centro comercial em Kryvyi Rih deixa pelo menos 6 mortos e 91 feridos
Por Marco Severini — Em um movimento que ressoa como um golpe calculado no tabuleiro geopolítico, um ataque russo contra um centro comercial em Kryvyi Rih matou ao menos seis pessoas e feriu 91, informaram autoridades ucranianas na tarde de sexta-feira. O presidente Volodymyr Zelenskyy, cuja cidade natal é Kryvyi Rih, definiu a ação como "cínica e desprezível" e apelou ao mundo por uma resposta mais contundente a Moscou.
Oleksandr Ganzha, chefe da administração militar regional de Dnipropetrovsk, declarou que o número de vítimas continua a subir e que lojas dentro do centro comercial foram consumidas pelas chamas. Imagens não verificadas publicadas em redes sociais mostram socorristas atendendo feridos ensanguentados; outros vídeos parecem captar um segundo drone colidindo contra o edifício já tomado pelo fogo.
Segundo o presidente ucraniano, o ataque ocorreu em duas ondas: o segundo drone teria atingido a área cerca de meia hora após o impacto inicial, quando as equipes de emergência já atuavam, caracterizando uma tática destinada a maximizar danos e atingir os próprios socorristas.
Entre os feridos há ao menos seis crianças, denúncia adicional do desastre em uma área civil densamente povoada. Kryvyi Rih — cidade industrial situada a aproximadamente 60 quilômetros da linha de frente — tem sido alvo frequente desde a invasão em grande escala iniciada por Moscou em 2022, cenário de um constante redesenho das linhas de ameaça e da tectônica de poder regional.
Na mesma tarde, o Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia informou sobre uma vítima fatal em Bereza, região de Sumy, após ataque com drones. Nos últimos meses, a Rússia intensificou as operações aéreas e com veículos aéreos não tripulados contra centros urbanos ucranianos; as Nações Unidas advertem que o número de vítimas civis atingiu o nível mais alto desde os primeiros meses do conflito.
Relatos adicionais incluem um ataque na quinta-feira contra outro centro comercial em Kramatorsk, que deixou duas pessoas mortas. Ataques noturnos e na madrugada também foram contabilizados: uma mulher de 46 anos do vilarejo de Komyshuvakha, em Zaporizhzhia, foi morta por uma bomba aérea guiada, conforme Ivan Fedorov, chefe da administração militar de Zaporizhzhia; e quatro civis morreram em Lebiazhe, região de Kharkiv, incluindo duas mulheres de 73 e 66 anos, após ataques com drones que provocaram incêndios nas áreas residenciais, segundo Oleh Syniehubov.
As Forças Armadas ucranianas relataram que Moscou lançou 135 drones durante a noite, atingindo 16 localidades, e que 107 desses aparelhos foram abatidos. O padrão — ataques em massa a áreas civis e em duas ondas para atingir socorro — indica uma deliberate estratégia de pressão que visa não apenas destruir infraestrutura, mas corroer os alicerces da resiliência civil.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que combina coercitividade e intimidação, um lance no tabuleiro que busca alterar a percepção de segurança no interior do país e forçar escolhas políticas internacionais. Zelenskyy pediu "pressão real sobre o agressor"; a questão é que mecanismos de resposta eficazes exigem coordenação internacional, reforço das defesas aéreas e medidas que previnam o recrudescimento do ciclo de violência contra populações civis.
Enquanto as equipes de emergência ainda trabalhavam nas cinzas do centro comercial, a diplomacia e a estratégia internacional enfrentam o desafio de traduzir indignação em medidas que reduzam a capacidade de ataques repetidos e protejam os civis — condição necessária para estabilizar o frágil equilíbrio regional.

