Comércio da UE no 2º trimestre de 2026: importações sobem 9,9% e geram primeiro déficit desde 2023
Importações da UE crescem 9,9% no 2º tri de 2026; déficit comercial de €21,8B impulsionado pela energia e alterações nas rotas comerciais.
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Comércio da UE no 2º trimestre de 2026: importações sobem 9,9% e geram primeiro déficit desde 2023
Bruxelas — No segundo trimestre de 2026 a União Europeia importou bens no valor de 701,8 mil milhões de euros desde países extra-UE, enquanto as exportações alcançaram 680 mil milhões de euros. Conforme os dados publicados pelo Eurostat, o resultado foi um déficit comercial de 21,8 mil milhões de euros — o primeiro registado pela UE desde o segundo trimestre de 2023.
Na leitura setorial, o fator preponderante é a conta de energia, cujo desajuste ampliou-se de 71,3 mil milhões no primeiro trimestre para 101,1 mil milhões de euros no segundo, pressionando os alicerces da balança. Também aumentaram os défices em matérias-primas e noutros produtos manufaturados, enquanto o superavit em máquinas e veículos sofreu uma redução.
No confronto trimestre a trimestre, as importações cresceram 9,9%, contra um aumento mais moderado das exportações de 5,4%. Em termos anuais, comparando com o segundo trimestre de 2025, as importações aumentaram 11,7% e as exportações 4,5%.
Geograficamente, a China permanece como o principal fornecedor da UE, representando 21,9% das importações no período, com um valor de 153,6 mil milhões de euros. Seguem-se os Estados Unidos com 98,7 mil milhões (14,1%), o Reino Unido com 43,4 mil milhões (6,2%), a Suíça com 36,9 mil milhões (5,3%) e a Turquia com 25,5 mil milhões (3,6%).
As compras da UE aumentaram em relação a 2025 sobretudo dos Estados Unidos (+11,5%), do Reino Unido (+8,8%), da China (+7,9%) e da Suíça (+2,1%), enquanto as aquisições da Turquia recuaram ligeiramente (-0,6%).
No lado das exportações, os Estados Unidos continuam a ser o principal destino, com vendas da UE no valor de 127,7 mil milhões de euros (18,8%). Logo a seguir estão o Reino Unido com 92,7 mil milhões (13,6%), a Suíça com 60,5 mil milhões (8,9%), a China com 50,3 mil milhões (7,4%) e a Turquia com 27,3 mil milhões (4%).
Na comparação anual, sobressai o incremento das exportações para a Suíça (+16,1%). Crescimentos também foram observados em direção ao Reino Unido (+5,6%) e à China (+2,8%). Em contrapartida, as vendas da UE aos Estados Unidos diminuíram 5,6% e as destinadas à Turquia recuaram 4,9%.
Esta conjuntura comercial desenha, no tabuleiro estratégico da economia europeia, um movimento decisivo: o aumento das importações, sobretudo energéticas, redesenha fronteiras invisíveis de dependência e expõe fragilidades na arquitetura energética e industrial do bloco. A curto prazo, a tectônica de poder comercial exige respostas calibradas — desde gestão de riscos de abastecimento até estratégias de diversificação de fornecedores e reforço das cadeias de valor internas — para que o jogo de peças não comprometa a estabilidade macroeconómica do continente.
Assino este relatório com a perspetiva de quem observa mapas e açambarcamentos de influência: os números do Eurostat são peças que exigem jogadas de estado, não apenas reações de mercado.
Marco Severini – Espresso Italia

