Crise no Estreito de Ormuz eleva preço da gasolina a €1,85/L e do diesel a €1,87/L na UE

Tensão no Estreito de Ormuz eleva preços na UE: gasolina a €1,85/L e diesel a €1,87/L, com fortes aumentos em diversos países.

Crise no Estreito de Ormuz eleva preço da gasolina a €1,85/L e do diesel a €1,87/L na UE

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Crise no Estreito de Ormuz eleva preço da gasolina a €1,85/L e do diesel a €1,87/L na UE

Por Marco Severini — A tensão no Estreito de Ormuz imprime um movimento decisivo no tabuleiro energético global e traduz-se, na ponta da bomba, em aumentos abruptos dos preços dos combustíveis na UE. Dados do Weekly Oil Bulletin da Comissão Europeia mostram que, entre o final de fevereiro e 28 de maio de 2026, houve um salto significativo nos valores médios observados nos Estados‑membros.

No recorte temporal analisado, o preço médio da gasolina Euro‑Super 95 subiu de €1,55 por litro (base de 23 de fevereiro de 2026) para €1,85 por litro em 28 de maio de 2026 — um acréscimo de 19,3%. O diesel acompanhou essa trajetória, com aumento de €1,54 para €1,87 por litro, equivalente a +21,1%. Esta dinâmica reflete a tectônica de poder que altera rotas e expectativas no mercado petrolífero internacional.

Os impactos, contudo, não foram homogêneos entre os Estados‑membros, o que constitui um padrão previsível em tempos de crise: aumentos relativos maiores surgem onde os alicerces da política de preços e da tributação tornam os mercados mais expostos às variações internacionais. Para a gasolina, os saltos percentuais mais marcantes comparando‑se com fevereiro foram na República Tcheca (+29,9%), Dinamarca (+29,0%), Bélgica (+28,9%), Finlândia (+27,7%) e Bulgária (+25,6%). No caso do diesel, a Bulgária lidera com +38,9%, seguida por Finlândia (+33,4%), Bélgica (+30,9%), Estônia (+29,5%) e França (+28,8%).

Em termos absolutos, os preços mais elevados no continente permanecem concentrados na Europa setentrional e ocidental. Na sondagem de 25 de maio, a gasolina ultrapassou os €2,00 por litro em países como Dinamarca (€2,50), Países Baixos (€2,39), Finlândia (€2,19), Grécia (€2,14) e França (€2,11). A Itália situa‑se na oitava posição entre os Vinte e Sete, com média de €1,96 por litro.

Uma exceção institucional notável é Malta: único Estado‑membro a não registrar variações nem na gasolina nem no diesel no período, graças a um sistema de controlo de preços que amortiza as oscilações das cotações internacionais no mercado doméstico.

Do ponto de vista estratégico, esta conjuntura confirma que a interrupção da principal rota de trânsito — responsável por cerca de um quinto do petróleo mundial — redimensiona as margens de manobra dos formuladores de política e impõe recalibrações na arquitetura da segurança energética europeia. Não se trata apenas de cifras na bomba: é um redesenho de fronteiras invisíveis na distribuição de riscos e na influência geoeconômica.

Enquanto os decisores ponderam medidas de curto prazo para mitigar choques e discutir instrumentos de resiliência, os cidadãos enfrentam no cotidiano o efeito direto dessas partidas no tabuleiro. Em termos práticos, a subida nos preços reabre o debate sobre tributação, subsídios temporários e diversificação de fornecimento — escolhas que moldarão os próximos movimentos estratégicos na cena energética europeia.

Fontes: Weekly Oil Bulletin, Comissão Europeia; dados consolidados até 28 de maio de 2026.