Mortes no trabalho na UE sobem em 2024: Itália é 10ª com 482 vítimas, aponta Eurostat
Mortes no trabalho aumentam na UE em 2024; Itália tem 482 vítimas. Dados Eurostat mostram setores e diferenças entre países.
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Mortes no trabalho na UE sobem em 2024: Itália é 10ª com 482 vítimas, aponta Eurostat
Bruxelas — Em 2024, a União Europeia registrou 3.367 óbitos decorrentes de acidentes de trabalho, um acréscimo de 45 mortes (+1,4%) em relação a 2023, segundo os dados divulgados por Eurostat. Paralelamente, os sinistros não fatais recuaram 1,5%, somando cerca de 2,78 milhões de casos — 43.742 a menos que no ano anterior.
O contraste entre os dois universos permanece acentuado: para cada incidente mortal contabilizado na UE em 2024 houve, em média, 826 acidentes não fatais que resultaram em pelo menos quatro dias de ausência laboral. A taxa de incidência de incidentes mortais situou-se em 1,65 por 100.000 ocupados, enquanto a de acidentes não mortais foi de 1.359 por 100.000 ocupados.
O perfil demográfico das vítimas evidencia desigualdades laborais: cerca de dois terços (67,2%) dos acidentes não fatais envolveram homens, reflexo da maior presença masculina em setores de risco elevado — como construção, indústria manufatureira e atividades extrativas — e do maior predomínio do trabalho em tempo parcial entre as mulheres, que reduz exposição e tempo de permanência no local de trabalho.
No plano nacional, a França apresentou o maior índice de incidentes mortais, com 3,61 mortes por 100.000 ocupados. Por outro lado, Luxemburgo, Bélgica, Países Baixos, Alemanha e Suécia registraram taxas inferiores a uma morte por 100.000. Ao aplicar uma padronização que permite comparar países com estruturas econômicas distintas, a média da UE sobe para 2,10 mortes por 100.000. Nessa métrica, a França lidera com 4,48, seguida por Bulgária (3,92) e Letônia (3,74).
A Itália ocupa a 10ª posição entre os Estados-membros, com 482 vítimas fatais no trabalho em 2024. Isso equivale a uma taxa de 2,01 mortes por 100.000 ocupados — cifra estável face a 2023 e em queda frente aos 2,66 verificados em 2021. No mesmo ano, o país anotou 262.818 acidentes não fatais (190.048 envolvendo homens e 72.770 envolvendo mulheres).
Quanto à distribuição setorial das fatalidades, a construção concentra a maior parcela: 23% dos óbitos da UE (776 mortes). Transportes e armazenagem representam 15,9%, e a manufatura 13,8%. De forma global, construção, transportes e armazenagem, manufatura, e agricultura/industria florestal/pesca respondem por 65% de todas as mortes no trabalho na UE — um desenho que revela os eixos de influência dos riscos laborais no tecido produtivo europeu.
No campo dos acidentes não fatais, a manufatura lidera com 18,3% dos casos (509.851 incidentes), seguida por construção (12,7% — 352.520), comércio e reparação de veículos (12,4% — 345.282) e saúde e assistência social (12,3%). O relatório também discrimina tipos de lesão, destacando categorias como feridas e lesões superficiais, entre outras, embora o sumário disponível não expresse todas as quotas detalhadas.
Enquanto os números se desenham, impõe-se uma leitura estratégica: esse aumento modestamente negativo nas mortes, combinado com a queda nos acidentes não fatais, sugere que fragilidades pontuais nos alicerces da segurança laboral permanecem. É um movimento no tabuleiro cujo impacto é desigual entre países e setores — um lembrete de que as reformas e políticas preventivas são peças essenciais na arquitetura da segurança do trabalho europeia.
Marco Severini — Espresso Italia: análise diplomática e de estratégia internacional sobre a tectônica de poder por trás dos indicadores sociais e laborais na Europa.

