Guerra no Irã empurra UE rumo ao investimento em nuclear de nova geração, afirma von der Leyen

Guerra no Irã eleva custos energéticos e impulsiona UE a priorizar nuclear de nova geração e SMRs como resposta à dependência de combustíveis fósseis.

Guerra no Irã empurra UE rumo ao investimento em nuclear de nova geração, afirma von der Leyen

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Guerra no Irã empurra UE rumo ao investimento em nuclear de nova geração, afirma von der Leyen

Bruxelas – O impacto económico da guerra no Irã assumiu contornos estratégicos para a União Europeia: desde o início do conflito, o preço do petróleo e do gás fez a conta subir em 22 bilhões de euros, apesar de não terem sido adquiridas moléculas adicionais, observou com severidade a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Em tom de administrador de um tabuleiro geopolítico, von der Leyen defendeu que a resposta europeia passa por acelerar a aposta no nuclear de nova geração, sobretudo nos reatores modulares pequenos (SMRs).

Ao fechar o ponto sobre os efeitos do conflito entre EUA e Israel com o Irã, a presidente sublinhou que a interrupção no tráfego do Estreito de Hormuz constituiu “a segunda crise dos combustíveis fósseis em poucos anos”. Essa vulnerabilidade, acrescentou, é um alicerce frágil na diplomacia energética europeia que urge reforçar. “Estamos pagando caro por estas dependências”, afirmou, traçando uma linha clara: a saída sustentável passa por eletrificação com uma combinação de renováveis e nuclear moderno, instrumentos que trazem independência e previsibilidade.

Na arquitetura da iniciativa, von der Leyen anunciou que a Comissão apresentará antes do verão uma proposta para acelerar a eletrificação da Europa. Embora não tenha antecipado os conteúdos formais do documento, a mensagem política foi inequívoca: não podemos ficar atrás de Estados Unidos, China, Reino Unido e Coreia do Sul — que já alocaram recursos aos SMRs — se quisermos manter um espaço de influência tecnológica e de segurança energética.

O diagnóstico comunitário é claro: os mini reatores modulares não devem ser concebidos como uma alternativa exclusiva às fontes limpas, mas como parte de um portfólio integrado. Von der Leyen enfatizou que o investimento no nuclear de nova geração deve caminhar em conjunto com solar fotovoltaico, eólica, hídrica, hidrogénio e biomassa, evitando escolhas que substituam investimentos em outras tecnologias limpas.

Na prática, a Comissão recomenda aos Estados‑membros a utilização mais eficaz dos fundos já disponíveis, em especial os recursos de coesão, para reforçar a resiliência territorial. Apostar em baterias e na integração das redes aparece como prioridade: são movimentos do tabuleiro que aumentam a capacidade de absorção das fontes intermitentes e reduzem a exposição a choques externos.

Paralelamente às medidas de oferta, Bruxelas também pretende atuar sobre a contenção da fatura para empresas e famílias. Von der Leyen anunciou que em maio será apresentada uma proposta legislativa relativa à tributação da energia elétrica, um gesto técnico com impacto político destinado a reduzir pressões inflacionárias e a restaurar previsibilidade para os mercados domésticos.

Enquanto a UE debate os instrumentos e constrói consensos, o relatório deixa um traçado estratégico: a atual crise energética, desencadeada pela tensão no Estreito de Hormuz, reordena prioridades. Em linguagem de geoestratégia, é um movimento decisivo no tabuleiro que impõe um redesenho das fronteiras invisíveis da dependência energética. A aposta em nuclear de nova geração, se combinada com renováveis e com políticas fiscais e de coesão coerentes, pode oferecer à União um caminho mais estável e previsível — desde que desenhada com prudência e sincronizada com investimentos em redes e armazenamento.

Assina, Marco Severini, análise para Espresso Italia — voz temperada da diplomacia e do raciocínio estratégico europeu.