Costa na ONU: “Multilateralismo é a única resposta” e apelo por reforma do Conselho de Segurança

Costa na ONU defende o multilateralismo e pede reforma do Conselho de Segurança para enfrentar crises globais e garantir paz duradoura.

Costa na ONU: “Multilateralismo é a única resposta” e apelo por reforma do Conselho de Segurança

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Costa na ONU: “Multilateralismo é a única resposta” e apelo por reforma do Conselho de Segurança

Bruxelas – Em discurso proferido na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na tarde de 24 de setembro, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, traçou um diagnóstico preciso do estado atual da governança global e apresentou um roteiro estratégico: o multilateralismo como caminho indispensável para enfrentar riscos sistêmicos contemporâneos.

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Frente à aceleração da inteligência artificial, às pandemias, à crise climática, às tensões alimentares e às fragilidades financeiras, Costa advertiu que não há alternativa realista à ação coletiva. Em sua análise, pressões derivadas da polarização geopolítica, dos limites orçamentários e das lacunas institucionais não justificam o recuo. Pelo contrário, exigem uma política de “reformar, renovar e reinvestir”.

Dentro desse quadrante de propostas, o presidente europeu reafirmou a exigência da União Europeia por uma reforma ampla do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O objetivo é torná-lo mais eficaz, inclusivo, democrático e responsável — uma alteração estrutural que, nas palavras de Costa, reposiciona o órgão no centro da arquitetura de segurança internacional e corrige alicerces frágeis que hoje comprometem a capacidade de prevenção e mediação.

Costa também evocou a necessidade de uma liderança ambiciosa para a organização: mencionou explicitamente o atual secretário-geral, António Guterres, e sublinhou que o mandato deste termina em 31 de dezembro de 2026. O sucessor, segundo Costa, deverá mobilizar plenamente todos os instrumentos da Secretaria-Geral para prevenir conflitos, mediar crises e construir paz, com atenção especial a cenários críticos como Ucrânia, Médio Oriente e Sudão.

Na mesma intervenção, o líder português anunciou a criação de uma plataforma de alianças diplomáticas: a iniciativa “Partners for Multilateralism, International Law, Peace and Prosperity” — lançada pela União Europeia em conjunto com Austrália, Barbados, Brasil, Canadá, Índia e Quênia. Trata-se, explicou Costa, de uma plataforma aberta para países que desejam defender princípios comuns e trabalhar em soluções concretas. O apelo foi explícito: convergir para coordenar mais eficazmente ações normativas e operacionais no tabuleiro global.

Reforçando a primazia do direito internacional, Costa ressaltou que normas e direitos humanos aplicam-se “em qualquer lugar”: na Ucrânia, no Médio Oriente, em África, na Ásia e na América Latina. Sobre a guerra desencadeada pelo Kremlin contra seu vizinho, classificou como inaceitável as repetidas ameaças à segurança dos Estados-membros da UE nos últimos 12 meses, exigindo que a Rússia cesse essa perigosa escalada. Lançou, igualmente, um apelo à comunidade internacional para empregar todos os instrumentos disponíveis com o fim de encerrar o conflito e criar condições para uma paz justa e duradoura.

No tocante ao conflito no Médio Oriente, Costa expressou apreensão com o impasse humanitário em Gaza e na Palestina que prolonga o sofrimento de milhões, mesmo depois do impulso aparente rumo ao fim das hostilidades observado no ano anterior. Reiterou que a posição da União Europeia e dos seus Estados-membros é clara: buscar soluções que respeitem o direito internacional e protejam civis.

Como analista que observa o tabuleiro global, cabe sublinhar: o discurso de Costa é um movimento estratégico — não apenas retórico — destinado a consolidar um eixo de influência normativa que compense a erosão dos mecanismos tradicionais. A iniciativa de parceiros forma, neste sentido, uma linha de flanco diplomática; a proposta de reforma do Conselho de Segurança busca redesenhar fronteiras invisíveis do poder, reconstruindo alicerces para uma governança coletiva mais resiliente.

É uma jogada de longo prazo. O desafio agora é transformar esse impulso verbal em arquitetura institucional concreta, antes que a tectônica de poder global traduza em novas assimetrias que tornarão a recomposição política ainda mais árdua.

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