Itália é penúltima na UE em jovens com ensino superior: 31,1% contra 44,8% da média europeia
Eurostat: Itália é penúltima na UE em ensino terciário entre jovens, com 31,1% contra média europeia de 44,8% em 2025.
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Itália é penúltima na UE em jovens com ensino superior: 31,1% contra 44,8% da média europeia
Bruxelas — Em duas décadas o tabuleiro educacional da União Europeia mudou de configuração: a proporção de jovens que concluíram um percurso de educação terciária cresceu de 27,2% em 2005 para 44,8% em 2025, segundo estimativas do Eurostat. Esse avanço aproxima a UE do objetivo de 45% traçado pelo quadro estratégico europeu para o setor educacional até 2030, mas revela também fraturas significativas entre Estados-membros.
Todos os países europeus aumentaram a percentagem de jovens com formação superior, embora com ritmos desiguais. Os progressos mais robustos foram registrados por Malta (+29,9 pontos percentuais), Luxemburgo (+28,0) e Irlanda (+25,9). Em contrapartida, alguns Estados, já partindo de patamares elevados ou enfrentando dificuldades estruturais, cresceram de forma modesta: Finlândia (+0,7), que atinge 37,5% em 2025; Romênia (+9,5), em 23,0%; e Estônia (+11,2), com 44,3%.
É neste mapa que a Itália ocupa uma posição delicada. Com um incremento de 14,9 pontos percentuais entre 2005 e 2025, o país alcança apenas 31,1% da faixa etária entre 25 e 34 anos com ensino terciário, permanecendo como a penúltima na União Europeia. Apenas a Hungria figura marginalmente acima, por cerca de 1,5 ponto percentual. No extremo da classificação, lideram Irlanda (66,8%), Luxemburgo (65,0%) e Lituânia (60,8%).
Do ponto de vista estratégico, esses números não são meros indicadores educativos: são peças que desenham capacidade produtiva, atratividade de investimento e reservas de capital humano para as próximas décadas. A persistente distância da Itália em relação à média da UE — 13,7 pontos percentuais abaixo — aponta para fragilidades nos alicerces da política de formação, na coordenação entre escolas, universidades e mercado de trabalho, e na mobilidade social intergeracional.
O movimento observado na UE configura uma espécie de redesenho de fronteiras invisíveis: países menores ou com políticas de expansão rápida do ensino superior ganharam terreno e hoje disputam posições de influência econômica que dependem diretamente da oferta de mão de obra qualificada. Para a Itália, a jogada decisiva requer um mix de reformas que inclua financiamento público mais eficaz, incentivos à conclusão de estudos superiores e um diálogo estratégico com o setor privado para reduzir o descompasso entre diplomas e competências demandadas.
Em termos diplomáticos e de competitividade europeia, o resultado enfatiza a necessidade de políticas coordenadas no espaço comunitário para reduzir disparidades. A meta de 45% para 2030 permanece ao alcance da UE como conjunto, mas a tectônica de poder educacional entre Estados-membros seguirá condicionando capacidades nacionais e o equilíbrio do bloco.
Marco Severini — Espresso Italia. Uma leitura em profundidade para dirigentes e formuladores de política que enxergam a educação não apenas como bem público, mas como estratégia de Estado.

