UE dá prazo a Pequim: resultados concretos até outubro ou medidas mais duras
Bruxelas dá até outubro para resultados da China; sem avanços, a UE prepara medidas mais duras para proteger a indústria europeia.
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UE dá prazo a Pequim: resultados concretos até outubro ou medidas mais duras
Por Marco Severini — A União Europeia lançou um aviso claro a Pequim: há um prazo até outubro para apresentar resultados concretos, sob pena de ver ativadas medidas mais severas. A mensagem foi transmitida pelo comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, em entrevista exclusiva à Euronews, enquanto Bruxelas fixa um cronograma preciso para tentar reduzir o recorde de surplus comercial chinês com o bloco.
Com as negociações já em ritmo acelerado, Šefčovič sublinha que a disputa ultrapassa o terreno do mero comércio: em jogo está o futuro da indústria europeia. As próximas duas semanas são descritas como decisivas e incluirão, em meados de setembro, um encontro por videoconferência entre o responsável europeu e o seu homólogo chinês, Wang Wentao.
“É uma questão altamente política”, afirmou o comissário, relembrando a linha fixada pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen: o diálogo só é útil se produzir frutos palpáveis. Caso contrário, Bruxelas está pronta a recorrer aos seus instrumentos de defesa comercial.
Sem revelar pormenores sobre as eventuais ritorsões, Šefčovič confirmou que a UE está a ultimar um instrumento de diversificação especificamente desenhado para reduzir a dependência do mercado chinês, apoiado por uma coesão entre os 27 Estados-membros considerada inédita.
“Os países da UE querem compreender a direção em que caminhamos e exigem um esquema-piloto de solução”, explicou o comissário. “Estou a trabalhar para o obter via negociações, mas são necessários factos. Na falta desses factos, a pressão política por contromedidas mais duras tornar-se-á inevitável.”
Šefčovič anunciou também que viajará à China em outubro, pouco antes do conselho dos líderes europeus em Bruxelas, quando o dossier económico com Pequim ocupará lugar central na agenda. Hoje, os 27 Estados-membros registam um déficit comercial face ao gigante asiático.
Há meses que paira a sombra de um confronto aberto entre Bruxelas e Pequim, marcado por restrições europeias a empresas chinesas e por ameaças de retaliação de Pequim. Recentemente, uma delegação de funcionários da UE esteve em missão na capital chinesa para tentar desbloquear avanços.
Enquanto isso, a Comissão não colocou de lado as suas «armas»: no verão intensificaram-se as investigações sobre práticas comerciais supostamente desleais por parte de empresas chinesas. Šefčovič admitiu que reequilibrar o acesso ao mercado chinês não será imediato, mas defendeu que, para evitar uma escalada, é preciso até outubro um acordo-quadro — uma prova de factibilidade que permita avançar para a implementação. Os sectores sob maior vigilância europeia incluem o automotive, os dispositivos médicos e o agroalimentar.
“Os nossos contactos atingiram uma intensidade sem precedentes”, concluiu Šefčovič. “Nunca tínhamos dialogado com os nossos interlocutores chineses tão regularmente e com tal profundidade como agora.” Num tabuleiro em que se redesenha a tectónica de poder económico, Bruxelas procura transformar a pressão diplomática em alicerces institucionais que garantam condições equitativas para a indústria europeia.

