UE mantém empréstimo de €90 bilhões à Ucrânia por enquanto, mas alternativas ganham peso
UE mantém empréstimo de €90 bi à Ucrânia por ora; alternativas, como uso de ativos russos congelados, ganham força diante da escalada russa.
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UE mantém empréstimo de €90 bilhões à Ucrânia por enquanto, mas alternativas ganham peso
Por Marco Severini — A Comissão Europeia opta por não reabrir, por ora, o delicado debate sobre o suporte financeiro à Ucrânia, mesmo diante de crescentes dúvidas sobre a suficiência do empréstimo de 90 bilhões de euros acordado pelos líderes no ano passado. O desenho original previa desembolsos de 45 bilhões ainda este ano e 45 bilhões no seguinte, com a expectativa de que esses fundos sustentassem Kiev até o final de 2027.
Até agora, foram feitos desembolsos limitados: 3,2 bilhões em ajuda orçamentária e 8,35 bilhões em ajuda militar. Em resposta a pergunta da Euronews, Paula Pinho, porta-voz da Comissão, reiterou a estrutura temporal: "Quanto à duração, está previsto que este empréstimo de 90 bilhões de euros seja concedido ao longo dos dois anos". Acrescentou que as liberações estão vinculadas às reformas introduzidas na Ucrânia, um elemento que a Comissão considera "crucial".
Em tom sobrio e focado, a porta-voz sublinhou: "No momento, nossa atenção está concentrada em um plano de desembolsos já muito ambicioso" — uma formulação que revela tanto cautela técnica quanto aversão a abrir um novo frente de debate político.
Entretanto, a nova escalada russa tem elevado rapidamente a pressão orçamentária. Moscou adotou uma tática de ataques continuados com drones, destinados a perturbar a atividade econômica cotidiana e a semear medo entre civis, enquanto intensifica ataques com mísseis balísticos contra infraestruturas críticas com o inverno no horizonte.
O presidente Volodymyr Zelensky pediu aos aliados o preenchimento de uma lacuna de 23 bilhões de euros no orçamento do Ministério da Defesa, para financiar armamentos e manter a capacidade de realizar ataques em profundidade. "Precisamos de mais dinheiro, muito mais", declarou o líder ucraniano na semana passada. Como alternativa pragmática, Zelensky propôs que a UE antecipe parte dos 45 bilhões previstos para o próximo ano — medida que implicaria menor disponibilidade em 2027. A Comissão ainda não recebeu uma solicitação formal nesse sentido de Kiev.
A questão dominou a pauta durante uma reunião informal de ministros na Irlanda. Ao fim dos contactos, a ministra das Relações Exteriores irlandesa, Helen McEntee, afirmou haver um "consenso geral" em favor de antecipar fundos, mas reconheceu que a matéria exige mais debate em Bruxelas.
Paralelamente, países como Suécia, Países Baixos, Espanha e Polônia relançaram a ideia de recorrer aos ativos imobilizados do Banco Central russo para financiar apoio adicional à Ucrânia. A União Europeia controla atualmente cerca de 210 bilhões de euros desses ativos, congelados desde fevereiro de 2022. Para muitos Estados-membros, esse conjunto de reservas congeladas representa um dos poucos instrumentos disponíveis que poderia ser mobilizado — um recurso que, na linguagem da diplomacia, aparece como o último movimento num tabuleiro já bastante exigido.
Estamos, portanto, diante de uma encruzilhada estratégica: manter os alicerces do acordo original e concentrar-se nos desembolsos previstos, ou redesenhar silenciosamente a geografia financeira do apoio a Kiev, recorrendo a instrumentos extraordinários. Em termos de tectônica de poder, cada escolha altera linhas de influência e cria precedentes que vão além da crise atual — um movimento decisivo no tabuleiro que exigirá cuidado técnico e coragem política.

