Itália reforça protagonismo na rede ATLAS e assume presidência das unidades antiterrorismo europeias

Itália assume papel central na rede ATLAS de unidades antiterrorismo e presidirá 2027–2029 sob Walter Calvi, fortalecendo interoperabilidade europeia.

Itália reforça protagonismo na rede ATLAS e assume presidência das unidades antiterrorismo europeias

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Itália reforça protagonismo na rede ATLAS e assume presidência das unidades antiterrorismo europeias

Bruxelas — Em 2025 a rede ATLAS, que congrega 38 unidades especiais de intervenção (SIU) de Estados-membros da UE e países associados (Reino Unido, Islândia, Noruega, Suíça) — cerca de 4.000 operadores — organizou 50 atividades em 33 países, mobilizando mais de 1.500 profissionais. Este fluxo operacional confirma a rede como um pilar prático da cooperação antiterrorismo no espaço europeu, um movimento decisivo no tabuleiro da segurança coletiva.

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Concebida em 2001 como um sistema informal de intercâmbio entre unidades antiterrorismo e formalizada em 2008 por decisão do Conselho da UE, a ATLAS tem por objetivo treinar a interoperabilidade transfronteiriça, partilhar conhecimento e experiências, e facilitar a cooperação em operações reais, assegurando assistência 24 horas entre Estados quando os recursos nacionais são insuficientes para enfrentar uma crise. A arquitetura da rede sustenta-se em grupos de peritos (Expert Groups), fóruns temáticos e projetos operacionais — alicerces que visam reduzir fragilidades e acelerar respostas.

ATLAS Network, l’Italia protagonista tra le unità antiterrorismo d’élite europee — eunews.it
Crédito: ATLAS Network, l’Italia protagonista tra le unità antiterrorismo d’élite europee — eunews.it

Os Expert Groups desenvolvem táticas e procedimentos padronizados em áreas como aeronaves, edifícios, ambiente naval e transportes; os fóruns tratam de comando e controlo, técnicas de breaching, unidades cinófilas, medicina tática e negociação; entre os projetos operacionais destaca-se o de proteção de proximidade (CPT). Desde 2018 o Support Office da rede funciona na sede da Europol, que provê suporte financeiro e logístico às dezenas de exercícios anuais — peças de uma tectônica de poder que visa manter os instrumentos operacionais afinados.

A Itália assumiu papel central nesta configuração. O Grupo de Intervenção Especial (GIS) dos Carabinieri lidera o Expert Group Aircraft e sediou três exercícios internacionais em 2025: em fevereiro, em colaboração com a Cruz Vermelha italiana, 28 operadores de sete SIU treinaram capacidades médicas a bordo de aeronaves; em novembro, dez unidades e as redes europeias EIFS e EEODN trabalharam ameaças CBRNe (químicas, biológicas, radiológicas, nucleares e explosivas), formando 43 operadores.

O GIS também abriga em Livorno o Centro de Excelência Aircraft, criado em 2019, e lidera o projeto CPT: em março de 2025 coordenou um exercício com 35 operadores provenientes de 17 unidades de Estados da UE e do Reino Unido sobre proteção de proximidade. Em solo italiano realizou-se ainda um exercício do Forum Silent Team dedicado a lançamentos por paraquedas em queda livre para abordagens silenciosas, com 32 operadores de oito SIU. A Polícia de Estado, por sua vez, através do Nucleo Operativo Centrale di Sicurezza (NOCS), conduz o Forum K9, voltado às unidades cinófilas.

O olhar estratégico sobre esses desenvolvimentos revela mais do que exercícios táticos: trata-se de um redesenho de fronteiras invisíveis na cooperação operacional europeia. Em termos simbólicos e práticos, a passagem da presidência da ATLAS para a Itália — prevista para 2027–2029 sob a liderança de Walter Calvi, atual vice-presidente do GIS, sucedendo ao sueco Mårten Langer — coincide com o 25º aniversário da rede. É um movimento que fortalece o papel italiano no eixo de influência da segurança europeia e que projeta uma continuidade institucional que poucos atores conseguem reivindicar.

Como analista, observo que a consolidação italiana no seio da ATLAS não é mero exibicionismo: é a construção metódica de capacidades interoperacionais e a colocação de alicerces para respostas coordenadas a ameaças complexas. Em termos de diplomacia da força, é um lance de alto nível no grande tabuleiro da estabilidade regional.

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