Lollobrigida e Hansen discutem PAC, soberania alimentar e orçamento da UE: Itália reafirma posição
Lollobrigida e Hansen se reúnem em Sorrento para debater PAC, soberania alimentar, orçamento da UE e reciprocidade em acordos comerciais.
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Lollobrigida e Hansen discutem PAC, soberania alimentar e orçamento da UE: Itália reafirma posição
Sorrento — Em um encontro estratégico ocorrido em 25 de setembro, o ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, reuniu‑se com o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, em Sorrento, Campânia. A reunião, comunicada pelo próprio ministro em um post no X, integra a série de diálogos promovidos pelo comissário luxemburguês com parceiros europeus para desenhar as linhas mestras da agenda agrícola comunitária futura.
Na conversa bilateral, foram tratados temas centrais para a estabilidade do setor e para a organização estratégica das políticas comunitárias: a soberania alimentar ao nível da UE, os recursos financeiros a serem alocados ao setor agrícola no próximo quadro financeiro plurianual, as novas regras da PAC (Política Agrícola Comum) vigentes após 2028 e a exigência de reciprocidade nos acordos comerciais internacionais firmados pela União, destinada a proteger as produções e os mercados internos.
Em sua declaração pública, Lollobrigida sublinhou com lucidez diplomática: “A Itália continuará a fazer ouvir com clareza a sua posição na Europa”. Essa formulação ecoa a visão de quem considera a agricultura não apenas como setor econômico, mas como peça-chave na tectônica de poder europeia — um alicerce sensível cujas movimentações provocam repercussões no conjunto do tabuleiro.
O encontro assume caráter preparatório para o próximo Conselho de Agricultura em Bruxelas, agendado para os dias 28 e 29 de setembro, onde serão debatidos, entre outros pontos, o futuro da PAC e a regulação dos mercados agrícolas comunitários — pautas que convergem diretamente com as linhas discutidas pelos dois dirigentes em Sorrento.
Do ponto de vista estratégico, a reunião revela duas camadas de importância: primeiro, a tentativa de consolidar uma convergência técnico‑política sobre recursos e regras antes do confronto colegiado em Bruxelas; segundo, a sinalização de que Roma pretende exercer um papel de protagonismo nas negociações, mobilizando aliados e desenhando fronteiras de influência dentro do processo decisório europeu. É um movimento que lembra um lance bem calculado no xadrez diplomático — criar posições de vantagem antes da jogada decisiva.
As discussões sobre reciprocidade nos acordos comerciais têm particular relevância para produtores italianos, notadamente nos setores de alto valor agregado, cujas margens dependem de condições equitativas de concorrência. Já o debate sobre o financiamento no próximo quadro plurianual é determinante para a sustentabilidade de políticas de longo prazo, investimento em inovação rural e proteção das cadeias alimentares.
Em suma, o encontro entre Lollobrigida e Hansen em Sorrento configura um ajuste fino das posições antes do confronto institucional em Bruxelas — um pequeno, porém significativo, redesenho das fronteiras invisíveis que orientam a governança agrícola europeia.

