Kaja Kallas reafirma: solução de dois Estados é única via para a paz no Oriente Médio

Kaja Kallas reafirma que a solução de dois Estados é a única via para paz duradoura; destaca papel da sociedade civil e exige medidas práticas em Gaza e Cisjordânia.

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Kaja Kallas reafirma: solução de dois Estados é única via para a paz no Oriente Médio

Por Marco Severini — Em Paris, durante o encontro "Paris Call for the Two-State Solution, Peace and Regional Security", a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, reafirmou com firmeza que a solução de dois Estados permanece como a única via prática para alcançar uma paz e uma estabilidade duradouras no Oriente Médio. O evento, organizado pelo Paris Peace Forum, teve por objetivo relançar o processo político rumo à criação de um Estado palestino ao lado de Israel, a única arquitetura viável para conter a crescente tectônica de poder na região.

Kallas recordou que o encontro sucede ao Apelo de Paris do ano anterior, que reclamava um cessar-fogo permanente, a libertação de reféns, acesso humanitário pleno a Gaza, e o reconhecimento do Estado da Palestina. Essas propostas, sublinhou a chefe da diplomacia europeia, deram depois corpo à D declaração de Nova York, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em julho de 2025, que esboça uma espécie de roteiro para uma solução definitiva baseada em dois Estados.

Na sua intervenção, Kallas destacou o papel estratégico da sociedade civil, ressaltando que as ideias originadas fora dos gabinetes diplomáticos alimentaram a declaração de Nova York. "A lição é clara: a sociedade civil não é um complemento da diplomacia, é indispensável para construir a paz", afirmou. Em termos de cartografia social, tratou-se de um movimento que redesenha as fronteiras invisíveis do diálogo, oferecendo novas rotas de aproximação entre as partes.

Voltando-se diretamente às iniciativas da sociedade palestina e israelense, Kallas valorizou as organizações que, em tempos de radicalização, mantêm vivo o esforço pelo diálogo — um ato que, na atual conjuntura, ela qualificou não apenas como coragem, mas como uma fonte concreta de esperança.

Sobre o terreno, a Alta Representante advertiu que a situação continua frágil e exigente de medidas práticas. Entre as condições para um acordo abrangente, mencionou a necessidade do desarmamento completo do Hamas, a retirada das forças israelenses e a garantia da reabertura plena dos pontos de passagem para o fluxo de ajuda. Ao mesmo tempo, insistiu, os esforços de recuperação e reconstrução em Gaza devem começar sem atrasos.

Quanto à Cisjordânia, Kallas denunciou o contínuo alargamento dos assentamentos israelenses, uma ação que mina os alicerces da diplomacia e reduz o espaço territorial para uma solução negociada. A expansão dos assentamentos representa, na linguagem da estratégia internacional, um movimento que altera o tabuleiro e complica possibilidades práticas de coexistência.

O encontro em Paris reuniu representantes da sociedade civil israelense e palestina, além de autoridades europeias, do Oriente Médio e atores internacionais. Para Kallas, e para os atores que buscam estabilidade, é imprescindível que a diplomacia construa sobre essas iniciativas de base: apenas assim será possível transformar apelos em compromissos e compromissos em instituições duradouras.

Num momento em que as peças do tabuleiro se deslocam rapidamente, a mensagem da UE — encabeçada por Kaja Kallas — é de que somente uma arquitetura de dois Estados assegura um equilíbrio sustentável e evita o redesenho de fronteiras que levaria a uma insegurança prolongada. A estratégia exigirá disciplina, verificação e um diálogo persistente entre atores que hoje parecem distantes, mas que, na prática diplomática, continuam a ser as únicas chaves para uma paz possível.