Haakon VIII jura à Constituição e assume a Coroa da Noruega após morte de Harald V
Haakon VIII jurou fidelidade à Constituição da Noruega após a morte de Harald V; transição simbólica e manutenção da estabilidade institucional.
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Haakon VIII jura à Constituição e assume a Coroa da Noruega após morte de Harald V
Por Marco Severini — Em um gesto institucional de profunda simbologia e de consequências diplomáticas sutis, o novo rei da Noruega, Haakon VIII, prestou juramento de fidelidade à Constituição do país nesta terça-feira, no Storting, o Parlamento norueguês. O ato marca a transição formal do poder simbólico da coroa, poucos dias após o falecimento do rei Harald V, na sexta-feira passada, aos 89 anos.
Em uma cerimônia de conteúdo austero e de protocolo preciso, Haakon percorreu o curto trajeto entre o Palácio Real e o Parlamento em um carro aberto, imagem que conjuga tradição e visibilidade pública numa monarquia moderna. O presidente do Parlamento, Masud Gharahkhani, leu o comunicado oficial sobre o óbito de Harald e a consequente sucessão, antes de Haakon, 53 anos, proferir o juramento: "Prometo e juro que governarei o Reino da Noruega em conformidade com a sua Constituição e suas leis; assim me ajude Deus, o Onipotente e o Omnisciente".
Embora o papel do monarca hoje seja largamente cerimonial — o governo eleito e o Parlamento detêm o poder executivo e legislativo — a família real mantém funções relevantes na promoção internacional do país e na manutenção de coesão simbólica interna. A linhagem da monarquia norueguesa remonta a raízes históricas profundas, reivindicando ascendência até o rei Harald Fairhair, do século IX. No capítulo mais recente da sua história institucional, a restauração da monarquia em 1905 foi ratificada por cerca de três quartos dos eleitores em referendo nacional.
Haakon adotou como lema o enunciado histórico "Tudo pela Noruega", já usado por seu bisavô, ecoando uma continuidade de alicerces simbólicos — um movimento que, em termos de geopolítica suave, preserva a estabilidade da imagem nacional num momento de transição. No tabuleiro diplomático europeu, essa continuidade reduz incertezas e mantém previsibilidade nas relações exteriores e nas agendas de Estado.
A cerimônia teve também um aspecto humano e sensível: a rainha Mette-Marit participou, na segunda-feira, do cortejo que acompanhou a urna de Harald até a capela do Palácio Real, em sua primeira aparição oficial após um transplante de pulmão realizado em junho. No entanto, o Palácio informou que a rainha não compareceria ao juramento no Storting. Em comunicado, o pneumologista Are Holm, do Hospital Universitário de Oslo, ressaltou que complicações pós-transplante não são incomuns e que a rainha deveria permanecer em observação ao longo do dia.
A urna do falecido rei permaneceu na capela do Palácio Real no centro de Oslo até o funeral, marcado para 9 de setembro. A capela estará aberta diariamente ao público, de terça-feira até 8 de setembro, para que cidadãos prestem as últimas homenagens, embora o Palácio tenha explicitado restrições: não é permitido fotografar ou filmar no interior, nem depositar flores ou objetos.
Em termos estratégicos, a ascensão de Haakon VIII representa um movimento calculado num tabuleiro onde símbolos e continuidade institucional valem tanto quanto políticas concretas: um redesenho discreto das fronteiras visíveis da autoridade, preservando a estabilidade e o prestígio internacional da Noruega.

