Parceria energética Itália–Azerbaijão se fortalece: US$3 bilhões em investimentos e expansão do TAP
Itália e Azerbaijão consolidam parceria energética: US$3 bi do SOFAZ, expansão do TAP e papel central de Baku na segurança energética europeia.
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Parceria energética Itália–Azerbaijão se fortalece: US$3 bilhões em investimentos e expansão do TAP
Baku — Marco Severini, para Espresso Italia. Em movimentos que lembram um deslocamento calculado em um tabuleiro de xadrez, a relação entre Itália e Azerbaijão consolida-se como eixo estratégico além das meras transações comerciais. Dados divulgados pela entidade sovrana azera deixam claro que a presença de Baku no solo italiano deixou de ser episódica: o fundo soberano SOFAZ elevou sua exposição na Itália para cerca de 3 bilhões de dólares, o que corresponde a aproximadamente 4% do portfólio total — tornando o país o quarto destino em importância nos investimentos do fundo.
Não se trata de capricho financeiro. Segundo Levan Davitashvili, CEO da Italiana Petroli — empresa incorporada pela companhia estatal SOCAR —, a aposta na Itália é a consequência lógica de anos de relação econômica e energética. "A Itália não é uma novidade para o Azerbaijão. É um parceiro comercial muito importante e o primeiro em termos de exportação de recursos energéticos", declarou, relacionando a estratégia de investimentos a uma continuidade de projeto geoeconômico.
O elo que mais une Roma e Baku é o gás. Entre 2020 e 2025, a Itália recebeu cerca de 45 bilhões de metros cúbicos por meio do gasoduto Trans-Adriático (TAP), infraestrutura que traz o gás do campo Shah Deniz, no setor azeri do Mar Cáspio, até a costa da Puglia. O TAP é, porém, apenas o último segmento visível de um traçado cartográfico energético mais amplo: em conexão com a South Caucasus Pipeline e a Trans-Anatolian Pipeline (TANAP), integra o chamado Corredor Meridional do Gás, a rota europeia privilegiada para os recursos do Cáspio.
Pelo terminal de Melendugno, na província de Lecce, chegam diariamente entre 25 e 28 milhões de metros cúbicos de gás azeri destinados ao mercado italiano — um fluxo que sustenta não apenas aquecimento e indústria, mas também a estabilidade das cadeias de abastecimento energéticas europeias depois da crise das entregas russas.
As indicações apontam para expansão. Em 2022, a Comissão Europeia e o governo de Baku assinaram um protocolo para dobrar a capacidade do TAP, de 10 para 20 bilhões de metros cúbicos por ano; o processo já avançou e, em janeiro deste ano, a capacidade do gasoduto atingiu 11,2 bilhões de metros cúbicos anuais. Este incremento confirma a centralidade crescente do Azerbaijão na arquitetura energética europeia e reconfigura, discretamente, os alinhamentos estratégicos do continente.
O significado político desta intensificação vai além do gás: investimentos, infraestrutura e uma parceria diplomática que voltou a ser observada com atenção por Bruxelas desenham um quadro onde Roma e Baku constroem alicerces compartilhados. Em termos de Realpolitik, trata-se de um redesenho de fronteiras de influência — uma tectônica de poder onde o comércio de energia funciona como peça-chave.
Para a Itália, aceitar e gerir este movimento exige equilíbrio: maximizar ganhos estratégicos e econômicos, sem ceder a dependências que limitem sua autonomia geopolítica. No grande tabuleiro, Baku e Roma movem-se com precisão: investimentos financeiros por um lado, infraestrutura e diplomacia por outro, compondo um desenho que, se bem administrado, tende a reforçar a resiliência energética europeia e a posição italiana dentro dela.