Suécia sinaliza mal-estar na UE com Trump: “Cansados de uma liderança imprevisível”

Suécia lidera crítica na UE à liderança imprevisível de Trump e alerta para custos econômicos e riscos geopolíticos decorrentes das operações contra o Irã.

Suécia sinaliza mal-estar na UE com Trump: “Cansados de uma liderança imprevisível”

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Suécia sinaliza mal-estar na UE com Trump: “Cansados de uma liderança imprevisível”

Por Marco Severini — Em Bruxelas, a recente sessão do Conselho Ecofin expôs, com rara franqueza diplomática, fissuras e inquietações que percorrem o tabuleiro estratégico da União Europeia. A ministra das Finanças da Suécia, Elisabeth Svantesson, assumiu a posição de porta-voz de um desconforto coletivo quando declarou, à margem dos trabalhos, que está “cansada de uma liderança imprevisível que torna as coisas difíceis para todos”. A referência implícita é às iniciativas dos Estados Unidos no teatro do Golfo e às operações militares em torno do Irã, bem como à tensão que daí decorre.

As palavras da ministra sueca não se restringem a queixas retóricas: trazem à tona uma crítica substancial à forma como decisões externas podem desestabilizar os alicerces econômicos e políticos da Europa. “Não sabemos bem o que querem os Estados Unidos do Irã, sabemos que o que acontece tem um custo para os cidadãos suecos e para todos”, afirmou Svantesson, sublinhando a sensação de que a tectônica de poder entre Atlântico e Eurásia está a ser redesenhada sem consulta.

Em contraste, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apontou o dedo para o Irã como responsável pela escalada, o que evidencia a multiplicidade de narrativas dentro das instituições europeias. Este contraste é sintomático: a UE não é um bloco monolítico, e os seus estados-membros calibram respostas conforme vulnerabilidades nacionais e trajetórias históricas.

Wopke Hoekstra, comissário europeu para o Clima, convidado a participar do Ecofin, adotou tom mais prudente e estratégico. Seu diagnóstico foi pragmático e orientado por risco: “Aconselho apertar os cintos de segurança, porque a situação pode continuar e até piorar”. Hoekstra recorreu a um olhar macroeconômico e estrutural: a questão central não é apenas a possível interrupção do tráfego no Estreito de Hormuz, mas as fraquezas crônicas da Europa — dependência de importações de combustíveis fósseis e escassas reservas energéticas.

Da sua análise emergiu uma proposta de longo prazo: diversificar fontes com mais energia solar, mais nuclear e fortalecer interligações, criando um sistema energético distinto do atual. É uma visão que mira os alicerces frágeis da diplomacia e da segurança económica europeia, propondo reformas que reestruturem o jogo.

Makis Keravnos, ministro das Finanças de Chipre e presidente de turno do Conselho Ecofin, ofereceu uma advertência disciplinada: “As coisas mudam de hora em hora”. A frase resume a volatilidade do momento e justifica cautela política e analítica. No xadrez da geopolítica, movimentos precipitados podem dar vantagem estratégica ao adversário; por isso, a Europa procura agora equilibrar reação e planejamento.

Em síntese, o pronunciamento sueco funciona como um sinal claro: a UE enfrenta uma fase em que decisões externas — e em particular a ação dos Estados Unidos sob Donald Trump — impõem uma nova cadência de riscos. A tarefa europeia é reforçar a resiliência interna e redesenhar capacidades para que futuros movimentos no tabuleiro global não voltem a expor suas fragilidades.