Exportação de barbatanas de tubarão pela UE recua em 2025: mercado avaliado em €44,8 milhões
UE reduz exportação de barbatanas de tubarão em 2025; mercado vale €44,8 mi e controle reforçado por Eurostat e CITES.
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Exportação de barbatanas de tubarão pela UE recua em 2025: mercado avaliado em €44,8 milhões
Por Marco Severini — Bruxelas. Em 2025, a União Europeia exportou 2.700 toneladas de barbatanas de tubarão para países fora do bloco, num mercado avaliado em 44,8 milhões de euros. Os números, divulgados hoje pelo instituto de estatística da UE, Eurostat, desenham um movimento tático no tabuleiro do comércio internacional: queda de 15,2% em volume e de 31,3% em valor em relação a 2024.
Esse recuo sucede um pico brusco entre 2023 e 2024, quando as exportações haviam dobrado — de 1.500 para 3.100 toneladas — um movimento que, à luz dos recentes controles e da evolução normativa, pareceu excessivo e temporário. Os dados de 2025 podem sinalizar um retorno a padrões mais próximos do equilíbrio, resultado tanto do aperto de fiscalização quanto da alteração das regras internacionais.
A Comissão Europeia intensificou o monitoramento desse comércio, inserindo novos códigos de produto na base de dados do Eurostat para rastrear com maior precisão as espécies mais comercializadas, entre as quais o blue shark (tubarão-azul) e o mako de nadadeira curta. Paralelamente, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) revisou ao final de 2023 a sua Lista II, incluindo cerca de 60 novas espécies de tubarão, o que impôs obrigações documentais mais rigorosas e controlos alfandegários ampliados.
Do ponto de vista geopolítico e mercantil, a UE continua a escoar quase a totalidade de suas exportações para a Ásia: em 2025, Singapura e China absorveram 41,5% e 40,9% do fluxo, respectivamente. Seguem Hong Kong (12,8%), Japão (2,5%) e Vietnã (1,1%). A quase totalidade do valor comercializado deriva de barbatanas congeladas — 89,9% do montante, ou 40,3 milhões de euros — enquanto produtos como barbatanas defumadas, secas, salgadas ou em salmoura representaram cerca de 9,3% do valor.
Em paralelo às exportações, as importações da UE permanecem residuais: somaram 20,2 toneladas em 2025, avaliadas em 0,3 milhão de euros, um declínio contínuo desde 2023, quando as importações atingiram 66,9 toneladas (1,2 milhão de euros). Esses fluxos assimétricos configuram uma distribuição de riscos e responsabilidades que exige coordenação entre políticas comerciais e ambientais.
O lançamento dos dados do Eurostat coincidiu com a celebração do Dia Mundial dos Oceanos. A Comissão Europeia recordou o papel vital dos tubarões nos ecossistemas marinhos — guardiões discretos do equilíbrio das cadeias tróficas — e apontou a demanda por barbatanas, juntamente com o comércio de carne, pele e cartilagem, como uma das principais ameaças à sobrevivência de populações já fragilizadas. Um estudo do IFAW, com base em dados aduaneiros oficiais, reforça a necessidade de vigilância contínua para conter práticas que promovem a sobreexploração.
Em termos estratégicos, observamos um redesenho de fronteiras invisíveis no comércio de espécies marinhas: controles mais estritos e maior transparência nas estatísticas funcionam como alicerces para uma governança mais sólida. Entretanto, a sustentação dessa mudança exige coordenação internacional duradoura — um movimento de longo prazo no tabuleiro da diplomacia ambiental, onde cada peça regulatória pode alterar a tectônica do poder comercial e conservacionista.