UE, Liga Árabe e 85 países condenam expansão ilegal de Israel na Cisjordânia

UE, Liga Árabe e 85 Estados da ONU condenam medidas israelenses na Cisjordânia e pedem revogação imediata por violarem o direito internacional.

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UE, Liga Árabe e 85 países condenam expansão ilegal de Israel na Cisjordânia

Bruxelas – Em um movimento que revela as fissuras do atual equilíbrio geopolítico, a comunidade internacional, liderada pela União Europeia e pela Liga Árabe, juntamente com 85 Estados-membros das Nações Unidas, emitiu uma declaração conjunta para condenar a expansão ilegal promovida por Israel na Cisjordânia. O documento afirma que "essas decisões são contrárias às obrigações de Israel ao abrigo do direito internacional e devem ser imediatamente revogadas".

Trata-se de uma reação dura, porém previsível, diante das medidas adotadas pelo gabinete de segurança do governo de Benjamin Netanyahu nas últimas semanas. Primeiro, foram aprovadas uma série de medidas destinadas a facilitar a aquisição de terras palestinas por colonos e a ampliar os poderes das forças armadas para operações de controle e demolição em áreas sob administração da Autoridade Nacional Palestina. Em seguida, foi aberto o processo de registro de terrenos na Cisjordânia como "propriedade do Estado" – um gesto com efeito prático de anexação de facto, em clara ruptura com os princípios dos Acordos de Oslo de 1993.

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Os signatários recordam que tais atos colidem com múltiplas resoluções das Nações Unidas que remetem as fronteiras legais de Israel às de 1967 e ameaçam o arcabouço do acordo conseguido para a resolução do conflito em Gaza, que abriu uma janela para a retomada da perspectiva da solução de dois Estados.

Os números acentuam a gravidade do quadro: na Cisjordânia residem cerca de três milhões de palestinos e mais de 700 mil israelenses instalados em assentamentos e postos avançados que, segundo o direito internacional, são classificados como ilegais. "Reafirmamos nossa rejeição a todas as medidas destinadas a alterar a composição demográfica, o caráter e o estatuto dos territórios palestinos ocupados desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental", sublinham os 85 países.

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Entre os signatários figuram grandes potências como a China e a Rússia, enquanto os Estados Unidos notoriamente se abstiveram de apoiar a declaração. Esse alinhamento diversificado traduz, no tabuleiro global, um reclamo multilateral contra um movimento considerado por muitos como um redesenho de fronteiras invisíveis, que mina os alicerces frágeis da diplomacia regional.

A União Europeia, recorda a declaração, já havia proposto sanções econômicas no último setembro; entretanto, a perspectiva de penalidades foi rapidamente arquivada após o cessar-fogo em Gaza. Essa hesitação evidencia, mais uma vez, a falta de vontade política entre países ocidentais e árabes para dar seguimento prático às repetidas condenações das violações do direito internacional cometidas contra o povo palestino.

Do ponto de vista estratégico, a iniciativa israelense não é apenas uma manobra territorial: é um movimento decisivo no tabuleiro que pode recalibrar as linhas de influência e fragilizar ainda mais as perspectivas de paz. Sem medidas coercitivas ou uma resposta diplomática coordenada, tais decisões correm o risco de consolidar realidades sobre o terreno cuja reversão será cada vez mais onerosa e complicada.

Num momento em que a arquitetura clássica da ordem internacional é testada por pressões regionais e interesses geopolíticos concorrentes, a reação dos 85 Estados, da UE e da Liga Árabe representa uma tentativa de manter, ao menos retoricamente, normas que sustentam a estabilidade. Resta saber se esse aviso terá força para alterar a trajetória das políticas israelenses – ou se ficará mais uma vez confinado a uma peça assinada e deixada na estante da diplomacia.

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