Von der Leyen define UE “forte e precária” e pede independência estratégica e energia elétrica até 2040

Von der Leyen descreve a UE como 'forte e precária', pede independência estratégica, reforma do mercado único e aposta na eletrificação até 2040.

Von der Leyen define UE “forte e precária” e pede independência estratégica e energia elétrica até 2040

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Von der Leyen define UE “forte e precária” e pede independência estratégica e energia elétrica até 2040

Ursula von der Leyen disse, em tom de estadista e com a precisão de um jogador que calcula vários lances à frente, que a União Europeia atravessa um momento “excepcional”: cheio de oportunidades mas também de perigos. Foi esse o núcleo do seu discurso sobre o Estado da União, proferido em 16 de setembro de 2026 no hemiciclo de Estrasburgo, que durou uma hora e dez minutos, pontuado por mais de vinte aplausos e quatro longas ovas de pé.

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A oradora evitou referências explícitas aos Estados Unidos — nenhuma menção aos EUA nem ao seu presidente — e repetiu o termo clima sete vezes e defesa doze vezes, sinais das prioridades que pretende moldar no tabuleiro estratégico europeu. Desde as primeiras palavras, von der Leyen evocou a ideia paradoxal de uma União “nunca tão forte, e contudo mais precária que nunca”, para sublinhar a necessidade de consolidar a capacidade de ação autónoma do bloco.

Ao estilo de um arquiteto político, ela apresentou três casos humanos que orientam sua narrativa: a história dos empreendedores tecnológicos “Rafa, da Polônia, e Pekka, da Finlândia”; a família do piloto dinamarquês anti-incêndios Rune Kyndal, morto em um acidente junto de um oficial de ligação — homenagem que mereceu a primeira ovação de pé; e a jovem ginasta ucraniana Sasha, que, apesar de ter perdido a perna esquerda num ataque russo, voltou a competir e foi a destinatária da segunda ovação de pé. Presente também na sala, segundo a presidência, estava o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que recebeu a terceira ovação de pé, e cuja presença Von der Leyen citou para reafirmar: a UE continua a acreditar nas alianças.

No plano econômico, Von der Leyen ratificou o compromisso de concluir até o fim do próximo ano a grande reforma do mercado único — a tábua de salvação para a competitividade que ela resume como “Uma Europa, um mercado”. O foco será a simplificação: aceleração de autorizações, licenças, conexões às redes e decisões de financiamento. A presidente não poupou um recado aos Estados-membros: enquanto a Comissão trabalha para reduzir a burocracia, é chegada a hora de cada capital fazer a sua parte.

Na energia, a proposta é ambiciosa e tecnicamente neutra: promover energia limpa, acessível e produzida internamente — de renováveis a nuclear, passando por biometano e outras fontes. Von der Leyen salientou a urgência do pacote sobre redes, necessário para investir mais rapidamente, acelerar os allacciamentos à rede e desenvolver sistemas de armazenamento. Em sua leitura, o futuro do continente é essencialmente elétrico; a meta apontada é dobrar a participação da eletricidade no consumo final até 2040, reforçando assim a resiliência energética e a autonomia estratégica.

Como analista que observa a tectônica de poder, percebo neste discurso um movimento de longo alcance: Von der Leyen tenta redesenhar fronteiras invisíveis da soberania econômica e da segurança, equilibrando coesão interna e alianças externas. É um lance calculado no grande tabuleiro europeu — alicerces que buscam garantir ação e dissuasão, enquanto se procura, ao mesmo tempo, encantar as novas gerações para que a obra política se mantenha sustentável no tempo.

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