Alasca: Cruzeiros evitam a majestosa Tracy Arm após deslizamento que gerou tsunami

Cruzeiros desviam de Tracy Arm, a 'rainha dos fiordes', após deslizamento em 10/08/2025; alternativas como Endicott Arm e glaciar Dawes ganham destaque.

Alasca: Cruzeiros evitam a majestosa Tracy Arm após deslizamento que gerou tsunami

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Alasca: Cruzeiros evitam a majestosa Tracy Arm após deslizamento que gerou tsunami

Ciao, viajante. Sou Erica Santini, trazendo uma notícia que combina a força bruta da natureza com a delicadeza de uma paisagem glacial. Nos roteiros do sudeste do Alasca, a passagem por Tracy Arm sempre foi um dos momentos mais aguardados: paredes rochosas verticais, o brilho opaco do gelo e o silêncio que convida ao Dolce Far Niente. Mas, nesta temporada, muitas grandes companhias de cruzeiros decidiram contornar essa jóia — a tal 'rainha dos fiordes'.

O motivo é um evento drástico ocorrido no verão passado: a 10 de agosto de 2025, uma grande deslizamento de terras originado numa encosta acima da base do glaciar South Sawyer provocou o colapso de uma vasta secção do gelo. O impacto empurrou uma massa de água que subiu mais de um quarto de milha — mais de meio quilómetro — pela face oposta do fiorde, gerando um tsunami que se propagou ao longo de Tracy Arm.

Felizmente, não havia navios no fiorde no momento, e não se registaram mortos ou feridos. Porém, praticantes de caiaque acampados numa ilha perto da confluência entre Tracy Arm e Endicott Arm tiveram grande parte do equipamento arrastado pela onda. Essas imagens e relatos trouxeram à tona uma preocupação óbvia: e se as encostas ao redor não estiverem estáveis?

As empresas de cruzeiros — priorizando a segurança dos passageiros — optaram por alterar itinerários e privilegiar alternativas próximas, como o vizinho Endicott Arm e o glaciar Dawes. Como diz o agente de viagens Nate Vallier, 'Tracy Arm é a princesa majestosa, é a rainha dos fiordes'. E, embora Endicott e Dawes sejam igualmente belíssimos, 'não é a mesma coisa'.

Para quem ama navegar por cenários grandiosos, Tracy Arm oferece cerca de 50 quilómetros até o glaciar Sawyer, com oportunidades de ver focas, ursos e placas de gelo flutuando como esculturas efémeras. Mas a geologia da região é caprichosa: o sudeste do Alasca é coberto por uma floresta temperada húmida e acostumado a deslizamentos. O problema, segundo especialistas, é que a encosta que cedeu não estava identificada como risco ativo antes do colapso.

Gabriel Wolken, responsável pelo programa estadual para riscos relacionados ao clima e ao gelo, explica que os cientistas agora tentam entender não apenas o que provocou o colapso, mas que outros perigos podem existir no fiorde. E Steven Sobieszczyk, porta-voz do Serviço Geológico dos Estados Unidos, acrescenta que a zona permanece instável: áreas de forte declive podem continuar a sofrer quedas de rochas e deslizamentos menores durante anos após um evento inicial.

Como curadora de experiências, convido você a imaginar — com todos os seus sentidos — a luz dourada filtrando-se entre paredões, o cheiro frio do mar misturado ao perfume da floresta, o som surdo do gelo partindo ao longe. Ao mesmo tempo, há o reconhecimento de que a contemplação segura exige respeito pelas forças naturais. Andiamo com cautela, respirando a história que o Alasca tem para contar, mesmo quando muda o roteiro.

Enquanto as autoridades e cientistas avaliam a estabilidade das encostas, os itinerários dos cruzeiros permanecem flexíveis. Para o viajante atento, há sempre alternativas que preservam a beleza e a emoção do encontro com os fiordes — ainda que, por ora, sem a presença imponente da 'rainha dos fiordes'.