Castellammare celebra Annibale Ruccello com 'Le fiabe di Ruccello' nas igrejas históricas
Castellammare di Stabia homenageia Annibale Ruccello com 'Le fiabe di Ruccello' em igrejas históricas, direção de Luciano Melchionna.
RESUMO ✦
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Castellammare celebra Annibale Ruccello com 'Le fiabe di Ruccello' nas igrejas históricas
Ciao, viajante do sentimento — sou Erica Santini e convido você a um passeio sensorial pela Castellammare di Stabia, onde a cidade rende um terno tributo a Annibale Ruccello ao completar setenta anos de seu nascimento e quarenta de sua morte. Em uma celebração íntima e teatral, a essência das suas histórias é reavivada em Le fiabe di Ruccello, montagem dirigida por Luciano Melchionna com textos adaptados por Monica Citarella.
As peças ganham vida em duas igrejas de via Gesù, no centro antigo, como quem abre portas para o passado e deixa a luz dourada do presente penetrar nas frestas do tempo. O elenco — Ingrid Sansone, Pako Ioffredo, Irene Isolani e Renato Bisogni — carrega ao público narrativas com sabor de tradição, aquelas mesmas que Ruccello colheu entre as sombras dos becos e nas pedras porosas dos palazzi de tufo, verdadeiras matrizes poéticas de sua obra teatral.
No primeiro segmento, instalado na Chiesa di Gesù e Maria, pequena joia barroca, a adaptação intitulada "Mamme, Madonne e poveri figli" convida os espectadores a uma experiência de imersão. Sob a regia de Luciano Melchionna, Ingrid Sansone e Pako Ioffredo percorrem o espaço sagrado como se navegassem por memórias — dos transeptos laterais aos confessionais, do atrás do altar maior ao púlpito — transformando arquitetura e rito em palco e permitindo que cada canto susurre segredos ao público.
O segundo momento do percurso, igualmente inserido em ambiente eclesial da mesma via, prossegue esse diálogo entre sagrado e popular. Irene Isolani e Renato Bisogni retomam as fábulas e os contos, oferecendo outras tessituras dramáticas que completam o panorama das vozes ruccelliane. Não é apenas uma leitura de textos: é a reativação de um imaginário em que o cotidiano e o mito se encontram, onde o aroma do mar e o pó das pedras contam história.
Como curadora e amante do Dolce Far Niente, vejo nesta homenagem um afeto público que se faz íntimo. É um convite para saborear a história com os sentidos — ouvir as sílabas como se fossem folhas secas pisadas numa rua estreita, ver as luzes projetarem-se nas paredes como memórias reencontradas, sentir a textura do tempo nas vozes dos atores. A cidade inteira parece sussurrar: aqui nasceu uma poesia que pulsa entre casas e igrejas.
Para quem busca experiências culturais autênticas, esta é uma oportunidade de encontrar os hidden gems de Castellammare: o teatro que respira na vida diária, a tradição que se transforma em espetáculo, o encontro entre o rito e a narrativa popular. Andiamo: permita-se ser envolvido por essas fiabe, deixe que as palavras de Annibale Ruccello lhe tragam à boca o gosto salgado do Golfo, a luz de um pôr que parece eterno.
Ao final, resta a sensação de ter participado de um pequeno ritual comunitário, uma celebração da memória e da cidade. Se puder, reserve um tempo para passear pelas ruas próximas, tomar um espresso e ouvir, nas vozes dos locais, o eco das mesmas histórias que agora voltam ao palco.