Cuba em colapso turístico: hotéis fecham e setor vive “quase total paralisia”
Crise no turismo em Cuba: hotéis fechados, cadeias internacionais saem e visitantes caem 58% no primeiro semestre de 2026.
RESUMO ✦
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Cuba em colapso turístico: hotéis fecham e setor vive “quase total paralisia”
Ciao, amigos — escrevo com o olhar atento de quem ama desvendar a alma das cidades. O primeiro‑ministro Manuel Marrero afirmou que o setor do turismo em Cuba foi levado a uma situação de “quase total paralisia” pelas recentes medidas internacionais e pela escassez de energia. A ilha, que já respirou pela presença constante de visitantes, hoje vê ruas e praças desertas e hotéis com portas fechadas, como se o tempo tivesse ganho outra textura.
Segundo Marrero, quase 73% dos hotéis encontram‑se encerrados. Sete cadeias internacionais, responsáveis por cerca de metade dos quartos da ilha — e que representam cerca de 46% dos alojamentos sob gestão estrangeira — já deixaram Cuba. Para muitos, a luz dourada da Havana Velha, outrora um palco de sol, salsa e coquetéis, deu lugar a um silêncio pesado e inquietante.
Antes da crise atual, o turismo era a segunda maior fonte de receitas em moeda estrangeira e empregava mais de 300.000 pessoas. Hoje, cerca de 25.000 trabalhadores estão numa situação particularmente vulnerável. A queda do fluxo de visitantes agravou‑se este ano: entre janeiro e junho de 2026, Cuba recebeu apenas 360.000 visitantes internacionais, uma retração de 58% face ao mesmo período do ano anterior — números que pintam um quadro doloroso após um 2025 já catastrófico, quando a ilha recebeu 1,81 milhões de turistas, o pior resultado desde 2002 e muito aquém da meta oficial de 2,6 milhões.
As dificuldades são múltiplas. Em fevereiro, Havana anunciou uma escassez de combustível de aviação e, na sequência, companhias aéreas do Canadá, da Rússia e de vários países europeus suspenderam voos para a ilha. Em maio, os Estados Unidos impuseram sanções ao conglomerado militar GAESA, o que levou muitos operadores a romper contratos de gestão hoteleira para evitar penalizações e exposição ao mercado norte‑americano. Em julho, Washington ampliou essas medidas, acelerando a retirada de grupos internacionais.
As grandes marcas espanholas que durante décadas moldaram o rosto turístico cubano também recuaram. Embora grupos como Meliá e Iberostar tenham mantido até então parcerias com o Ministério do Turismo, a Meliá Hotels International comunicou à CNMV que cessaria operações nos seus 34 hotéis em Cuba a 24 de julho. Iberostar e Barceló confirmaram que já não gerem propriedades na ilha. A Meliá justificou a decisão pelas persistentes dificuldades operacionais, jurídicas, económicas e financeiras que afetam o país.
Ao caminhar pelas ruas vazias, sinto o perfume antigo das pedras e do sal — e uma urgência humana por soluções. Esta crise do turismo não é apenas estatística; é gente que perde meios de vida, praças que perdem passos e memórias que esperam ser reavivadas. Andiamo: é preciso olhar para além das cifras e pensar em medidas que preservem empregos, revitalizem infraestruturas e reconectem Cuba ao mundo com segurança e respeito.
Enquanto a política internacional e a logística moldam o destino imediato, permanece a esperança de que as riquezas culturais e a hospitalidade cubana — o verdadeiro tesouro da ilha — encontrem caminhos para renascer.