EES provoca caos nas filas: novo sistema de fronteiras dobra esperas e congestiona aeroportos europeus
Novo sistema EES dobra filas e aumenta esperas em aeroportos como Frankfurt, Amesterdão e Munique, gerando caos e críticas no setor de viagens.
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EES provoca caos nas filas: novo sistema de fronteiras dobra esperas e congestiona aeroportos europeus
Ciao, viajante — sou Erica Santini, a alma de viagem da Espresso Italia. Trago uma notícia que cheira a metal de malas e ao aroma quente do café no aeroporto: o novo sistema de fronteiras da Europa está a transformar o controlo de passaportes numa dor de cabeça para quem chega de fora da UE. Em horários de pico, as filas têm vindo a duplicar em alguns dos maiores hubs do continente, e a imprevisibilidade é agora parte da rotina de quem voa.
Dados recentes, apurados pelo Financial Times em parceria com o grupo de análise de viagens Qsensor, mostram que os tempos médios de espera aumentaram de forma significativa em aeroportos como Frankfurt, Amesterdão e Munique. Em julho, o tempo médio de espera em Frankfurt chegou aos 120 minutos, contra 60 minutos no mesmo mês do ano anterior. Em Munique, as esperas saltaram para 60 minutos, face a 31 minutos ano a ano, enquanto em Amesterdão os picos chegaram a 120 minutos, contra 80 minutos no ano anterior.
O responsável por esta revolução — e por este aperto no tempo — é o sistema de Entrada/Saída, conhecido por EES. Trata-se de um sistema biométrico que exige que todos os viajantes de fora da UE digitalizem o passaporte, registrem uma leitura facial e entreguem impressões digitais na sua primeira passagem. Na teoria, uma solução moderna; na prática, um processo que tem enfrentado falhas técnicas e uma procura que excede a capacidade esperada.
O problema não é apenas o aumento das filas, mas a sua irregularidade. Em horários calmos, o registo pode ser rápido; em períodos de alta afluência, as filas estendem-se até duas horas. Passageiros relatam ter de repetir a leitura de impressões digitais em várias viagens devido a falhas, e muitos quiosques do EES têm apresentado erros que forçam a intervenção humana — exactamente quando os aeroportos também lidam com picos de passageiros.
O cenário tem gerado críticas do setor. Michael O'Leary, CEO da Ryanair, qualificou o sistema como mal concebido, observando que a sua companhia detectou grandes filas em cerca de 15 aeroportos europeus. Para mitigar o impacto, alguns aeroportos têm optado por reduzir temporariamente fases do controlo — por exemplo, suspendendo a recolha de impressões digitais nos períodos de pico — até setembro. Essa exceção motivou um pedido conjunto de oito Estados‑membros da UE e da Suíça à Comissão Europeia para prolongar a medida.
Em resposta, a Comissão afirmou estar em diálogo estreito com os Estados‑membros onde há desafios e sublinhou que o EES não apresenta problemas por toda a parte. Um porta‑voz comentou que o tempo médio de registo ronda 70 segundos e que, "na maioria dos casos", o impacto sobre os viajantes de fora da UE tem sido limitado. Ainda assim, a realidade nos terminais sugere que a experiência varia muito e que a solução técnica precisa de afinação.
Enquanto a máquina burocrática procura ajustes, os passageiros vivem o seu próprio ritmo de viagem: a pressa, a ansiedade de perder um voo, o alívio quando finalmente passam o controle. Para mim, Erica, que vejo a Europa como um patchwork de memórias sensoriais — a luz dourada de Roma, o perfume dos vinhedos, o doce do Dolce Far Niente — esta notícia é um lembrete de que a modernidade nem sempre anda ao mesmo compasso que a experiência humana. Andiamo com cuidado: esperas maiores exigem planeamento, paciência e um pouco de graça italiana.
Se vai viajar para a Europa, planeje tempo extra no aeroporto, prefira horários menos concorridos e prepare os documentos digitais com antecedência. E, quando estiver preso na fila, respire fundo, imagine o aroma de um espresso forte e saiba que, por trás do desconforto, há um esforço real de modernizar as fronteiras do continente.