Gigantesca escultura homenageia os Budas de Bamiyan na High Line de Nova York
Escultura de 8m na High Line homenageia os Budas de Bamiyan; obra de Tuan Andrew Nguyen traz memória e poesia ao espaço público de Nova York.
RESUMO ✦
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Gigantesca escultura homenageia os Budas de Bamiyan na High Line de Nova York
Ciao, viajante curioso — aqui é Erica Santini, trazendo uma história que cheira a pedra antiga e ao vento da cidade. Na encantadora trilha elevada de Manhattan, a High Line recebeu uma presença imponente: uma escultura monumental que evoca a memória dos lendários Budas de Bamiyan.
Instalada no Plinth, o espaço dedicado a obras públicas na porção conhecida como Spur — o último trecho da ferrovia original do parque que se estende da 14ª à 30ª rua — a peça "The Light That Shines Through the Universe" do artista Tuan Andrew Nguyen toma o lugar que antes abrigava o piccione «Dinosaur», agora deslocado. A nova obra é uma estátua de Buddha em arenito, com cerca de oito metros de altura, que pousa sobre a paisagem urbana como quem oferece silêncio e contemplação.
Este monumento é, sobretudo, um gesto de memória: um tributo aos dois imensos Budas de Bamiyan, esculpidos por comunidades budistas por volta do século VI nas paredes rochosas do vale de Bamiyan, no Afeganistão — destruição essa que vimos com os próprios olhos da história em 2001, nas mãos do extremismo. Em palavras que reverberam, a direção do projeto artístico da High Line, representada por Cecilia Alemani e Donald R. Mullen Jr., descreveu a obra como um «contraponto poético e potente ao extremismo e à iconoclastia que ainda testemunhamos globalmente», ressaltando seu papel em «ressuscitar a memória» desses ícones perdidos.
Ao caminhar pela High Line e deparar-se com esta presença de pedra, sinto o convite para um momento de dolce far niente urbano: a textura da arenito, imaginada sob os dedos; a luz dourada de Nova York incidindo sobre as faces serenas da escultura; o rumor distante do trânsito que transforma-se em trilha sonora para a contemplação. É como navegar pelas tradições e, ao mesmo tempo, ouvir o pulso contemporâneo da cidade — um diálogo entre tempo e espaço.
Para quem ama descobrir hidden gems, a instalação de Tuan Andrew Nguyen na High Line é uma chamada a desacelerar. Andiamo a pé, respirando a história que a peça procura preservar, lembrando que arte pública tem o poder de reconstruir memórias e apontar caminhos para a empatia.
Se estiver em Nova York, reserve um tempo para subir até o Plinth, procurar a escultura e permitir que o ar da cidade lhe conte a história. Se estiver longe, imagine o perfume dos vinhedos de Bamiyan — metaforicamente, pois a alma do lugar é pedra e silêncio — e sinta a presença dessa luz que atravessa o universo, um brilho que resiste às sombras da destruição.
La vita è un viaggio: que esta obra nos lembre da resiliência da memória cultural e do poder das formas de reunir pessoas em torno do belo. A cidade, sempre em transformação, acolhe mais este gesto de história e poesia. Buon viaggio e até a próxima descoberta.