EUA em ‘quebra Trump’: poderá o Mundial de 2026 reverter a queda do turismo?

EUA enfrentam queda do turismo em 2025; o Mundial de 2026 pode reverter a 'quebra Trump' e atrair visitantes? Análise completa.

EUA em ‘quebra Trump’: poderá o Mundial de 2026 reverter a queda do turismo?

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

EUA em ‘quebra Trump’: poderá o Mundial de 2026 reverter a queda do turismo?

Ciao, viajante — sou Erica Santini, sua curadora de experiências e confidências sobre o Bel Paese e além. Enquanto o resto do mundo regista um tímido renascer das viagens, os Estados Unidos vivem um outono inesperado no fluxo de visitantes. Em 2025, o turismo internacional global cresceu, em média, 4%, mas os EUA sofreram uma retração de 5,4% ao longo do ano — um fenómeno apelidado de “quebra Trump”.

O que está por detrás dessa sensação de afastamento? Um coquetel de medidas e sinais públicos: o endurecimento das políticas de imigração, alterações nos passaportes e regras vistas como hostis para a comunidade LGBTQ+, um reforço visível da segurança nas fronteirasstrong> e flutuações cambiais que tornaram a viagem mais dispendiosa para muitos. Esses ingredientes têm criado uma paisagem em que visitantes internacionais hesitam antes de reservar voos e hotéis.

O ponto de atenção agora recai sobre o grande evento do verão: o Mundial de futebol da FIFA, com partidas a decorrerem entre junho e julho de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. Havia grande esperança de que o torneio trouxesse uma onda de adeptos e revitalizasse a indústria hoteleira e turística dos EUA. Um relatório da Tourism Economics chegou a projetar que o campeonato poderia atrair 1,24 milhões de visitantes internacionais ao território norte-americano — dos quais 742 mil (60%) seriam provenientes de fora dos países vizinhos — e injetar energia numa retoma que a indústria tanto deseja.

No entanto, nuvens persistem no horizonte. Propostas de alteração ao sistema ESTA, um escrutínio crescente nas redes sociais e medidas de segurança mais rígidas podem fazer com que o número de torcedores fique aquém do esperado. Em janeiro de 2025 vimos uma queda generalizada: o turismo canadiano recuou 28% face ao mesmo mês do ano anterior; as chegadas do Reino Unido subiram apenas 0,5%, enquanto França e Alemanha registaram quebras. A tendência não desapareceu em 2026 — em janeiro, os viajantes europeus foram 5,2% menos numerosos do que no ano anterior.

Além dos números, o clima geopolítico e episódios de tensão têm alimentado incerteza. Desde ameaças verbalizadas de anexar a Greenland até incidentes envolvendo agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro) com mortes no terreno, muitos visitantes sentem-se desconfortáveis. Histórias de europeus e canadianos detidos para interrogatório, revistas a dispositivos eletrónicos e um controlo transfronteiriço mais atento passaram a figurar nas conversas de aeroportos e cafés.

As barreiras administrativas também apertaram: os EUA impuseram proibições de viagem a dezenas de países — entre eles quatro seleções qualificadas para o Mundial: Irão, Senegal, Costa do Marfim e Haiti — e introduziram uma “taxa de integridade do visto” de 250 dólares para vistos não imigrantes de turismo e negócios. Paralelamente, políticas federais anunciadas em janeiro que reconhecem apenas dois sexos biológicos levaram muitos viajantes LGBTQ+ a reavaliar planos para visitar o país.

Então, Andiamo: o Mundial será uma virada? Há sinais contraditórios. Por um lado, é um megaevento com o poder de mostrar cidades vibrantes, encher hotéis e acender economias locais — uma oportunidade para que os EUA saboreiem a história e recuperem brilho. Por outro, as sombras das políticas de segurança, restrições e custos extra podem reduzir a vontade de muitos fãs de atravessar fronteiras. Entre a luz dourada dos estádios e a textura do tempo nas paredes das grandes cidades, o resultado dependerá tanto da hospitalidade visível quanto das escolhas políticas nos próximos meses.

Como amante de viagens e anfitriã de conversas sinceras, convido você a observar não só os números, mas as histórias humanas por trás deles — os receios, as esperanças e os pequenos gestos de acolhimento que podem transformar uma visita. Dolce far niente num parque depois de um jogo, o perfume dos vinhedos em Napa, o burburinho de um bar em New York: são esses instantes sensoriais que têm o poder de decidir se o turismo volta a florescer. Ciao e até a próxima descoberta.