Galeria de Apolo do Louvre reabre ao público após o furto das jóias da Coroa

A Galeria de Apolo do Louvre reabre ao público após o furto das jóias da Coroa; sala ainda sem vitrines nem peças, com acesso parcial e grades na vista da Sena.

Galeria de Apolo do Louvre reabre ao público após o furto das jóias da Coroa

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Galeria de Apolo do Louvre reabre ao público após o furto das jóias da Coroa

Ciao, viajante curioso — há notícias que soam como pequenos suspiros da cidade: hoje, em Paris, a histórica Galeria de Apolo do Louvre reabre suas portas ao público após o assalto que abalou o museu no outono passado. É uma reabertura com cautela e poesia, onde a grandiosidade do espaço volta a respirar, mesmo que ainda falte o brilho das peças arrancadas.

Por volta das 9h desta manhã, as duas grandes portas da galeria — inspirada na galleria dos Carracci do Palazzo Farnese, em Roma, e mãe de inspiração para a Galerie des Glaces de Versailles — se abriram, permitindo a entrada dos primeiros visitantes. O corredor, que se estende por 61,34 metros, recupera o murmúrio dos passos e o jogo de luz que desliza sobre os tectos dourados, mas o percurso termina diante de uma grade que bloqueia o acesso ao balcão com vista para a Sena. Um sinal discreto, porém eloquente, do que aconteceu na noite de 19 de outubro.

Naquela data, um comando entrou em ação e subtraiu parte das jóias da Coroa. Segundo as investigações, os assaltantes conseguiram penetrar no museu com a ajuda de um monta-cargas estacionado na margem do rio. Em seguida, no desenrolar do inquérito, quatro suspeitos foram detidos — uma conclusão processual que permite agora um primeiro e tímido retorno ao normal, ainda que a sala permaneça sem vitrines, tecas e as peças que a tornavam tão célebre.

Os responsáveis do ex-palácio real — hoje o maior museu do mundo e, às vezes, criticado por sua dimensão que pode fazê-lo parecer distante — explicam que a reabertura parcial serve para lembrar a função primitiva do espaço: mais do que um cofre, a Galeria de Apolo é uma casa de reis, um palco de luz e de história. É possível, por isso, apreciar agora a arquitetura, os painéis, os frescos e a sensação de navegar pelo tempo — como quem saboreia um bom vinho italiano, lentamente, em afeto pelo Dolce Far Niente.

Os visitantes que atravessam a galeria hoje encontram um ambiente ainda protegido: ausência de expositores, barreiras físicas e reforço na vigilância. A cena lembra que a cidade-luz pulsa entre fragilidade e resiliência, entre histórias que se perdem e outras que resistem como textura nas paredes. Para quem surpreende-se com os detalhes, há o perfume sutil da pedra aquecida pela manhã; para os olhos, o dourado que brinca com a luz; para a memória, a lembrança de um episódio que levou o museu a repensar segurança e curadoria.

Andiamo — visitar a Galeria de Apolo neste momento é uma experiência híbrida: um convite a testemunhar a recuperação cultural e o cuidado institucional, e também a sentir o silêncio temporário das coisas roubadas. A esperança é que, com investigações e medidas reforçadas, as peças voltem a seu lugar e que o esplendor retorne por completo. Até lá, a galeria permanece aberta como uma página viva da história, pronta para ser lida com todos os sentidos.

Erica Santini, Espresso Italia — reportagem direto de Paris.