Meca prepara seu próprio aeroporto para receber peregrinos em voos diretos

Meca avança com plano de aeroporto próprio e projetos de mobilidade; intenção é receber peregrinos por voos diretos e melhorar o acesso à cidade sagrada.

Meca prepara seu próprio aeroporto para receber peregrinos em voos diretos

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Meca prepara seu próprio aeroporto para receber peregrinos em voos diretos

Sou Erica Santini, e trago uma notícia que mistura ambição urbana com a reverência de um rito milenar. A cidade mais sagrada do Islão vai dar um passo histórico: Meca prepara a construção de um aeroporto próprio, com orientações estratégicas, económicas e de investimento já aprovadas, anunciou Saleh Al‑Rasheed em entrevista à Harvard Business Review Arabia.

Al‑Rasheed, CEO da Royal Commission for Makkah City and the Holy Sites (RCMC), explicou que a entidade governamental responsável pelo planejamento e desenvolvimento de Meca trabalhará em parceria com o setor privado para definir um modelo de investimento adequado ao projeto. É um movimento pensado para acolher melhor os fiéis, facilitar a logística e, sobretudo, encurtar distâncias que hoje se fazem por estrada.

Atualmente, a maioria dos visitantes internacionais chega ao Aeroporto Internacional Rei Abdulaziz, em Jeddah, a cerca de 100 km de distância, seguindo depois por via terrestre. Testes recentes com veículos aéreos elétricos autónomos, realizados em 2024, têm servido como laboratório para avaliar soluções inovadoras — da mobilidade de emergência ao transporte de equipamento médico —, segundo relatos do Arab News.

Construir um aeroporto em Meca não será apenas um feito de engenharia; é um desafio geográfico. O relevo montanhoso que envolve a cidade implica aproximações complexas, turbulência e eventuais problemas de visibilidade e meteorologia. Ainda assim, as autoridades seguem com os estudos e com a intenção de modernizar o acesso à cidade sagrada, permitindo futuramente voos diretos de peregrinos.

Na mesma entrevista, Al‑Rasheed abordou também o projeto do Metro de Meca: os estudos de viabilidade e os projetos iniciais foram concluídos e já foram apresentados às autoridades competentes, para avançar às próximas fases. Enquanto isso, a cidade já conta com uma rede terrestre robusta — uma frota de 400 autocarros que operam em 12 linhas, cobrindo 580 km. Lançado em 2022, este serviço transportou mais de 185 milhões de passageiros pela cidade sagrada.

Os números recentes do Hajj reforçam a urgência de soluções: no ano passado, a Arábia Saudita recebeu mais de 1,5 milhão de peregrinos estrangeiros, totalizando mais de 1,6 milhão de participantes, segundo a General Authority for Statistics (GASTAT). Em 2024, peregrinos vindos da Europa, América, Austrália e outros países representaram 3,2% do total.

Recordo que o Hajj é uma obrigação religiosa única na vida para muçulmanos que tenham capacidade física e financeira, com duração entre cinco e seis dias conforme a observação da lua. Já a Umrah é a peregrinação voluntária, que pode ser realizada em qualquer época do ano.

Andiamo: entre a técnica e o sagrado, este projeto remete ao encontro entre modernidade e tradição — uma promessa de hospedar melhor quem vem buscar fé, e de transformar a paisagem do peregrinar com delicadeza e planejamento. Dolce far niente? Não aqui: é trabalho e respeito para receber multidões que peregrinam, com a suavidade de um gesto de boas‑vindas.