Da Rocinha para o mundo: como o 'Terraço da Porta do Céu' virou trend e chegou a Portugal — até a PSP aderiu

Como o Terraço da Porta do Céu, na Rocinha, virou trend com vídeos de drone, gerando empregos e críticas — e agora também em Portugal, com adesão da PSP.

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Da Rocinha para o mundo: como o 'Terraço da Porta do Céu' virou trend e chegou a Portugal — até a PSP aderiu

Ciao, viajante sensorial — sou Erica Santini, e trago uma história que mistura cidade, rostos e o perfume do concreto aquecido pelo sol. No Rio de Janeiro, um novo ponto de curiosidade turística tem capturado olhares e corações: o Terraço da Porta do Céu, na Rocinha. Mais do que um clique, virou uma verdadeira trend nas redes sociais, onde visitantes sobem a um telhado para posar enquanto um drone se afasta, revelando um tapete vivo de casas que encontra a costa glamourosa da cidade — uma visão que parece brincar entre dureza e poesia.

As filas podem chegar a duas horas, e o vídeo capturado pelo drone tem preço: entre 25 e 33 euros (150 a 200 reais). A iniciativa é da agência Na Favela Turismo, idealizada por Renan Monteiro, 42 anos, que explicou à AFP que a proposta nasceu do desejo de mostrar o "lado positivo da favela". E há ritual nessa experiência: não é só o telhado — é o percurso.

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Os visitantes só têm acesso ao terraço por meio de um pacote completo, que inclui uma visita guiada por um labirinto de vielas estreitas, onde a vida segue seu compasso cotidiano. Pelo caminho, as paradas são para conhecer artistas locais, sentir o som e a cadência da capoeira e observar pequenas oficinas. Tudo acompanhado por guias locais que zelam pela segurança — uma mudança essencial depois de episódios trágicos, como o assassinato de uma turista espanhola em 2017 durante um confronto entre polícia e traficantes.

Para mitigar riscos, a empresa desenvolveu uma aplicação em que guias e a comunidade trocam informações em tempo real sobre operações policiais, permitindo cancelar ou adiar passeios quando necessário. Ainda assim, a iniciativa não escapou às críticas: há quem acuse a proposta de "romantizar a pobreza" e de transformar a dura realidade em cenário para consumo visual. Renan rebate dizendo que a intenção é justamente desafiar preconceitos e abrir portas para oportunidades reais.

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Os impactos socioeconômicos são citados pela própria agência: além de gerar renda extra para os proprietários de 26 terraços e coberturas na Rocinha e no Vidigal, o projeto afirma ter criado empregos para cerca de 300 guias locais e dez pilotos de drone. Um desses pilotos, Pedro Lucas, 19 anos, contou que a atividade "mudou muito a minha vida" — pago com um salário que antes parecia distante.

Como bom vento de verão, a tendência fugiu dos limites do Brasil. Cruzou o Atlântico e chegou a Portugal — e, segundo relatos, até a PSP já aderiu ao formato, incorporando a linguagem visual dos terraços e dos drones em iniciativas de proximidade comunitária e divulgação institucional nas redes. A travessia mostra como imagens potentes podem atravessar fronteiras e provocar debates sobre turismo, ética e economia local.

Ao olhar para essa janela sobre a cidade, lembro do Dolce Far Niente e também da responsabilidade: saborear a paisagem é um privilégio que deve andar de mãos dadas com respeito, segurança e benefícios reais para quem vive ali. Andiamo — e que cada imagem seja um convite à descoberta consciente.

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