Tumba romana com objetos de ouro e papiro da Ilíada é descoberta perto de Minya
Descoberta em Minya: tumba romana com múmias, objetos de ouro e papiro contendo trecho da Ilíada. Um achado que mistura arte e ritual.
RESUMO ✦
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Tumba romana com objetos de ouro e papiro da Ilíada é descoberta perto de Minya
Ciao, viajante curioso — sou Erica Santini, a alma que saboreia a história. Hoje levo você a um achado que pulsa como uma música antiga: arqueólogos espanhóis descobriram, em Bahnasa, perto de Minya — cerca de 250 km ao sul do Cairo — uma rara tumba romana contendo várias múmias e preciosos achados em ouro. É um pequeno cofre do tempo, onde a poeira do deserto parece guardar segredos de vidas atravessadas pelo Mediterrâneo.
A missão, liderada pela Universidade de Barcelona em colaboração com o Instituto para o Próximo Oriente Antigo, trouxe à luz um conjunto funerário que revela ritos e gostos culturais de uma época em que o mundo greco-romano e o egípcio se tocavam com elegância. Entre as descobertas figuram caixões de madeira, múmias envoltas em ataduras decoradas com motivos geométricos e traços de folha de ouro aplicados sobre alguns corpos — um gesto de respeito e brilho eterno que faz pensar no Dolce Far Niente dos antigos.
O achado mais poético pode muito bem ser descrito como um diálogo entre literatura e morte: sobre uma das múmias foi localizado um papiro contendo trechos do segundo livro da Ilíada de Homero. Imaginemos a cena — o perfume seco do papiro, a luz amarelada do sol egípcio filtrando-se no sítio, e na mão do tempo, uma passagem épica que atravessou mares e séculos para repousar ao lado de quem partiu.
Além do papiro, os arqueólogos encontraram três objetos de ouro em forma de língua e um objeto de cobre com a mesma forma, peças que levantam questões sobre simbolismos, rituais ou ornamentos funerários. Essas 'peças-língua' parecem sussurrar intenções: proteger, identificar, ou mesmo servir em ritos específicos — ainda a ser decifrado pelos estudiosos.
O ministro do Turismo e das Antiguidades, Sherif Fathy, destacou que o achado soma-se a outras descobertas recentes no Governorado de Minya, oferecendo novas perspectivas sobre a continuidade e a transformação da civilização egípcia ao longo dos séculos. Agora, os especialistas terão a tarefa delicada de interpretar o conjunto: o que significava levar a Ilíada para a tumba? Que história cultural isso conta sobre os habitantes daquela região?
Andiamo: acompanhar escavações é como folhear um álbum ancestral, sentir a textura do tempo nas paredes e ouvir, em silêncio, a narrativa de povos que conviviam entre o Nilo e o Mediterrâneo. Para nós, que amamos viajar com os sentidos, essa descoberta é um convite a imaginar rostos, vozes e leituras que cruzaram fronteiras. É a arqueologia como hospitalidade: convidando-nos a sentar à mesa da memória e provar, com reverência, um pedaço da história.